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Editoriais 25/05/2001

Dar crédito não é uma atividade exclusiva de bancos; ela é vital para qualquer empresa industrial ou comercial. Mas a grande evolução tecnológica no processo de analisar, aprovar, fornecer, acompanhar e recuperar créditos tem acontecido no setor financeiro, muito especialmente em bancos. O Brasil ficou décadas sem grandes progressos nas atividades dessa natureza devido a gigantesca inflação que assolou o país, turvando a visão de análise e praticamente impossibilitando a aplicação de técnicas mais elaboradas. Agora, contudo, a movimentação rumo à modernidade é intensa, quer tecnologicamente falando, quer em volume de investimentos. O motor dessa evolução no Brasil foi a queda da inflação e a chegada dos bancos estrangeiros, visto que eles já aplicavam tais técnicas, no exterior.

Para provar que no exterior o tema é velho, vamos recorrer a dois exemplos. O primeiro se liga à descoberta de um instituto de crédito fundado no início do século passado: Robert Morris Associates (RMA)1 é uma Associação de Executivos de Créditos e Empréstimos bancários, fundada em 1914. Reúne hoje 3.000 bancos comerciais e empresas financeiras dos Estados Unidos e 15.000 profissionais da área de crédito. Problemas com os portfólios de crédito nos Estados Unidos nos anos 80 e a Reforma das Instituições Financeiras americanas ("Financial Institutions Reform, Recovery and Enforcement Act" ) geraram um forte movimento para melhorar o gerenciamento de riscos bancários, o que levou o "RMA Institute" a desenvolver um sistema de "rating" de risco de crédito para ser utilizado pelos bancos associados no início dos anos 90 para pessoas jurídicas.

O segundo exemplo vem do chamado "credit scoring" um processo pelo qual algumas informações sobre um pretendente a crédito (pessoa física) são convertidas em números que, combinados, formam um "score", o qual passa a ser uma medida da qualidade de crédito provável daquele pretendente. O processo tem medidores estatísticos que então qualificam o pretendente em "bom" ou "ruim". O desenvolvimento das teorias e das aplicações de "Credit Scoring" só foi possível a partir do aparecimento do computador para usos comerciais (anos cinqüenta) e do desenvolvimento das técnicas de pesquisa operacional, aplicadas pela primeira vez em operações da segunda guerra mundial. Essas técnicas utilizavam métodos matemáticos e estatísticos na solução de problemas de combate2. A enorme expansão das atividades comerciais após o término da guerra e consequentemente um crescimento forte das operações de crédito criou o ambiente para o desenvolvimento das técnicas de "Credit Scoring" nos Estados Unidos, especialmente com a atuação de empresas de financiamento, dos bancos comerciais e mais tarde, com a expansão dos cartões de crédito.

O próximo desenvolvimento para análise de grandes portfólios de crédito massificado é fruto do trabalho de sofisticados softwares e tem evoluído nos últimos dez anos; atualmente está em uma fase na qual se usa modelos de inteligência artificial. O conceituado "The New York Times" assinalou, noticiando essa evolução tecnológica, que "When Collection Software Runs, Debtors Can't Hide"3 significando que "quando softwares dedicados ao acompanhamento de portfólios de crédito operam, os devedores não conseguem se esconder".

Uma revista especializada, a "Collections & Credit Risk"4 publicou em 1999 que a tecnologia neural tem o potencial de revolucionar a setor de credit - scoring. De fato, a empresa Narex, de Denver, Califórnia, fundada apenas há seis anos, aceitou como sócia a gigante GE Equity , que já era cliente dos sofisticados softwares da empresa dedicados a otimizar segmentos de portfólios de crédito e auxilia-la a gerenciar a recuperação segmentada dos mesmos. A GE Equity é emissora de cartões de crédito para gigantes americanos tais como a cadeia Wall Mart e a rede de lojas Macy's. Essa enorme evolução está chegando ao Brasil agora.


1 Vide "A Credit Risk-Rating System: A tool for Managing Credit Risk" ; RMA - Robert Morris Associates; The Association of Bank Loan and credit Officers, Philadelphia, PA, USA.
2 Vide a esse respeito, "AN INTRODUCTION TO CREDIT SCORING" EDWARD M. LEWIS, Publicação de Fair, Isaac and Co., Inc. USA.
3 Edição de 6 de maio de 1999, página D1.
4 Edição de agosto de 1999, página 39.

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.