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Editoriais 30/12/2011

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 30/Dezembro/2011     EDDEZ302011.DOC Abrir/Imprimir em Word
 

Editorial: Rendimentos Financeiros em 2011 - Previsões para 2012[1] - Continuação

Em continuação ao OPINIÃO” de 23/12/2011 onde iniciamos uma análise retrospectiva do ano de 2011 juntamente as perspectivas para 2012 para quem pensa em fazer aplicações.

4) Aplicação em renda fixa: a caderneta de poupança

As aplicações em cadernetas de poupança rendem a TR (taxa referencial) mais 0,5% ao mês, enquanto o governo mantiver as regras atuais. Toda vez que a inflação fica muito baixa, os rendimentos da poupança ultrapassam os dos fundos de renda fixa e os dos certificados de depósitos bancários, os CDB’s. Há dois anos o governo ameaçou mudar as regras e taxar as aplicações maiores da poupança com 22,5% sobre o ganho de capital mas desistiu da idéia.

A TR é calculada mensalmente pelo Banco Central do Brasil com base nas taxas pagas nas aplicações feitas com os bancos de varejo em CDB’s. Há uma taxa TR diária, que se aplica para os dias em que os depósitos de poupança são feitos. Esses depósitos devem ser resgatados na chamada data de aniversário para renderem o ganho mensal pleno da TR. Quando isso não é feito, há uma perda naquele mês de parte dos rendimentos.

Como para pessoas físicas os ganhos de aplicação da poupança não são tributados pelo imposto de renda e como a aplicação em poupança é muito simples, ela se constitui em uma modalidade de investimentos muito procurada. Adicionalmente, qualquer pessoa pode abrir uma caderneta, o que não acontece com uma conta bancária tradicional. 

Instituições pessoas jurídicas chamadas de “imunes”, tais como, por exemplo, os condomínios residenciais, podem também aplicar em cadernetas de poupança e não pagar imposto de renda.

O FGC – Fundo Garantidor de Crédito garante aplicações da poupança até R$ 70.000,00 por instituição e por CPF, no caso de inadimplência da instituição financeira. Os bancos contribuem mensalmente com uma importância para gerar o patrimônio do FGC, que têm sido também usado para socorrer bancos, como, por exemplo, no caso do Banco Panamericano.

A caderneta de poupança tem liquidez diária, mas se deve retirar valores apenas nas datas de aniversário, para não perder rentabilidade do período intermediário.

O quadro 4 mostra que o rendimento da caderneta de poupança em 2011 teve um pequeno ganho real (acima da inflação medida pelo IPCA) de 1.03%. Os ganhos financeiros estão diminuindo muito no Brasil, o que leva o investidor a procurar outras aplicações, tais como ouro, imóveis, obras de arte, jóias.

5) Aplicação em renda fixa: Fundos de Investimentos

O Brasil tem milhares de tipos diferentes de fundos de renda fixa. De um modo geral, eles se dividem nas duas categorias principais seguintes:

  • FIF (Fundos de Investimento Financeiro) que aplicam os recursos dos investidores em papéis da dívida federal, CDBs e debêntures, e títulos privados e de bancos. Podem ter até 49% do patrimônio em ações. Não podem ter mais de 10% de papéis de uma mesma empresa e até 20% de um mesmo banco. O patrimônio é avaliado diariamente e gera um valor unitário da cota, que é comprada pelo investidor. É importante ler antes as regras do fundo, sua composição da carteira e examinar o histórico de rentabilidade, prestando atenção de que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.  É preciso também entender que o valor da cota pode recuar e nesse caso o investidor se resgatar perde dinheiro.
  • Fundos referenciados, dos quais o tipo mais importante é o chamado Fundo DI, que se liga à taxa Selic. Trata-se de um fundo pós fixado, cuja rentabilidade é apurada no fim do período.

Os fundos de renda fixa cobram uma taxa de administração, não sobre os rendimentos, e sim sobre a aplicação feita. Ela é cobrada diariamente, pro-rata do valor estipulado anual, que varia de 1% até 5%. As duas tabelas seguintes mostram os dez maiores fundos de cada uma dessas duas categorias, classificados pelo tamanho do patrimônio líquido. 

As rentabilidades, antes das taxas de administração e do IR sobre os ganhos de capital ficaram no ano de 2011 em 5,90% reais (depois de descontada a inflação) para os fundos do tipo DI e de 3,43% para os fundos de renda fixa comuns, também antes das taxas de administração e do IR. O imposto é de 20% sobre o ganho de capital. Considerando-se esses dois abatimentos, as rentabilidades reais líquidas deverão ficar por volta de 2% a 3,5%. Algo maior do que a rentabilidade da poupança.

Para 2012, os números esperados devem ser similares. Se não menores um pouco.

Os dois quadros seguintes relacionam os dez fundos para cada uma das duas categorias, considerados os de maior patrimônio líquido. A rentabilidade final apresentada para cada um dos dois grupos é achada por uma média ponderada das rentabilidades individuais, considerando-se como peso da ponderação o valor do patrimônio de cada um.

Quadro 5: Fundos de Investimentos referenciados ao DI (Depósitos Interfinanceiros)

 

Quadro 6: Fundos de Investimentos em renda Fixa

 

6) Aplicação em renda fixa: Títulos do Tesouro Direto

Essa modalidade de aplicação tem se tornado cada vez mais popular para pessoas físicas. Combina três coisas difíceis de se achar em outras aplicações financeiras: segurança, liquidez e uma boa rentabilidade, dependendo do título escolhido.

Uma regra geral de investimentos é de que “quanto maior a segurança, menor a rentabilidade”, verdade? Não necessariamente. A compra de títulos federais brasileiros por pessoas físicas residentes no Brasil propicia ótima segurança e uma boa rentabilidade, melhor do que alguns CDB´s de bancos e do que a caderneta de poupança. Vejamos como aplicar, passo a passo:

1) Através do site[2] da nota explicativa o aplicador deve escolher uma corretora de valores para ser seu agente de custódia; pode ser de um banco (por exemplo, as do Bradesco, Itaú, Banco do Brasil) ou de uma corretora independente (como por exemplo Spinelli, Magliano, Souza Barros, Coinvalores) e fazer seu cadastramento. A primeira vez, deve fazer pessoalmente. O agente de custódia não ficará com seus títulos, pois eles ficarão (eletronicamente) depositados em seu nome na CBLC[3].

2) Uma vez cadastrado, o aplicador poderá efetuar compras pela corretora escolhida ou diretamente “on line” pelo site do Tesouro Direto a partir de R$ 200,00, tantas vezes quantas desejar. As corretoras que tem sites atuando “on line” permitem suas operações pela internet[4].

3) Agora o investidor precisa escolher os títulos que vai comprar. Eles são de dois tipos: a) os títulos pré fixados, cuja rentabilidade bruta ele conhecerá no ato da compra se ficar com esses títulos até a data de vencimento, como por exemplo as LTN´s, Letras do Tesouro Nacional e b) os títulos indexados, cuja rentabilidade até a venda na data de vencimento só irá conhecer quando vender, por exemplo a NTNB (Nota do Tesouro Nacional variante B) que rende uma taxa fixa mais a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Variante Ampliada) no período. O site fornece os títulos disponíveis e as rentabilidades[5].  Os títulos comprados podem ser vendidos mesmo antes da data de vencimento, mas a preços de mercado. Se vender antes, terá liquidez, mas poderá perder um pedaço da rentabilidade total. A regra geral é comprar pré-fixados quando a inflação tende a cair e pós-fixados se tende a subir.  O seu agente de custódia (corretora) poderá lhe orientar para a escolha do título a comprar.

4) rentabilidades: na internet[6] você poderá ver as rentabilidades passadas dos diversos tipos de títulos federais negociados no Tesouro Direto, lembrando-se de que elas são apenas uma indicação e não a garantia de rentabilidades futuras. Mas ajudam na decisão. Nos últimos doze meses os títulos do tesouro direto renderam de 11,58% a 16,17% dependendo do título escolhido. Um excelente número.

5) Taxas e Impostos: O agente poderá (ou não) cobrar uma taxa de administração, que varia de 0% até 1% ao ano. Veja a tabela[7] no link indicado. O imposto de renda incide sobre os ganhos de capital como uma aplicação de renda fixa; a alíquota varia de 15% até 22,5% dependendo do prazo de aplicação.

6) Rentabilidade líquida: os estudos indicam uma rentabilidade líquida, isto é, depois de taxas e impostos, variando entre 9,95% ao ano e 11,06% ao ano, uma ótima rentabilidade se imaginada acoplada a toda a segurança e liquidez dos títulos do tesouro direto. Que são emitidos pelo governo brasileiro.

7) Outros investimentos financeiros: aplicações em ouro

O gráfico abaixo mostra como as cotações do ouro em R$ por grama, desde 2002 até dezembro de 2011. Como se vê, foi uma excelente aplicação financeira. Em 2002 a grama estava em R$ 22,70 e em 2011 termina o ano em R$ 95,10. Uma valorização nominal de 418,9% no período ou 17% ao ano. Para uma inflação nesses 9 anos de 116%. Ou seja, um ganho real de quase 8% ao ano. As guerras do oriente médio, a crise dos Estados Unidos e da zona do Euro mantém a subida das cotações. O mundo tem dois refúgios para épocas turbulentas: certamente uma delas é o ouro, a outra são os títulos do tesouro americano, (por incrível que pareça) e onde boa parte da liquidez mundial está aplicada, inclusive da China e do Brasil.

Se o leitor acredita em estatística, vai notar a curva de regressão dos preços do ouro no gráfico seguinte. E vai observar que o coeficiente de correlação entre a curva ajustada pelo computador e a série pontilhada dos pontos reais é de 0,9285, o que indica uma excelente correlação. Portanto nosso prognóstico estatístico para 2012 é de que o preço do ouro continuará tendo um ganho real acima da inflação brasileira.

Gráfico 4: Cotações do Ouro no Brasil

8) Quadro geral dos investimentos financeiros em 2011

Terminamos esse número do “OPINIÃO” (que está em seu vigésimo ano de publicação) com o tradicional quadro mensal dos rendimentos financeiros, publicado todos os meses pela EFC. Examinando a coluna dos rendimentos reais acumulados, a da direita, notamos que o ouro foi a melhor aplicação em 2011, com um ganho real de 10,11%; segue-se o dólar com 6,12%, graças (a nosso ver) de ter percebido o Governo que as baixíssimas cotações estavam (e estão ainda) prejudicando muito nossas exportações e o balanço de pagamentos, fortemente negativo. A renda fixa, em todas suas modalidades (fundos DI, fundos FIF, CDB´s) continua ganhando da inflação (e continuarão em 2012) e como já falado, os investimentos em renda variável perdem e muito da inflação.

Quadro 7: Rendimentos nominais e reais no mês de dezembro de 2011 e no ano

 

Com este número do “OPINIÃO” encerramos o ano de 2011 desejando a todos nossos leitores e clientes um feliz ano novo, repleto de boas coisas: saúde, felicidade e bons investimentos.


[1] Veja a Entrevista de Carlos Coradi no programa do Heródoto Barbeiro - TV Record – sobre os investimentos financeiros em 2011 e prognósticos para 2012 http://videos.r7.com/veja-como-foi-o-ano-de-2011-para-quem-fez-aplicacoes/idmedia/4ef511c7fc9bfdc022681bc8.html

[2] Site para escolha do agente de custódia em  http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/download/ranking/ranking_taxas.pdf

[3] CBLC: A Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia é uma sociedade anônima criada em 1997 a partir da cisão da Bovespa para atuar como uma “clearing” (caixa de liquidação) de ações e títulos. Faz toda guarda e liquidações da BM&F Bovespa e dos Títulos do Tesouro Direto.

[4] Veja a relação dos agentes integrados em http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/agentes_integrados.asp

[5] Veja a tabela de rentabilidades em http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/consulta_titulos/consultatitulos.asp

[6] http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/rentabilidade.asp

[7] Veja as taxas de administração em http://www.tesouro.fazenda.gov.br/tesouro_direto/download/ranking/ranking_taxas.pdf


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