Muitas famílias brasileiras trabalham de um modo extenuante por diversas gerações. E graças a labuta diária, a boas escolhas estratégicas e duas ou três gerações acumuladas, adquirem um montante apreciável de ativos: empresas, propriedades, aplicações financeiras, tecnologia, nome, marca, tradição.
Esse fenômeno de acumulação de riqueza não é exclusivo de nenhum país, e muito menos do Brasil, ele é mundial. E, especialmente nos Estados Unidos e na Europa, têm gerado uma preocupação de proteger o patrimônio da família através das próximas gerações. Da América do Norte vem o modelo de organizar o "Escritório da Família", em inglês "Family Office".
Recentemente em Chicago o "Institute for International Research", na série designada "The HR Wealth Management Series" , promoveu o Oitavo Forum Anual desse tema.
As questões principais que esse Forum abordou foram as seguintes: 1, desenvolvimento e implementação de um plano de alocação de ativos; 2, o papel de investimentos alternativos no portfolio da família; 3, estratégias de diferentes fundos de investimentos e sobre como utilizar a mistura adequada de estilos; 4, investimentos de valor versus investimentos de crescimento e a identificação de qual é a estratégia adequada para uma determinada família; 5, gerenciamento da liquidez e da demanda de receitas através do gerenciamento efetivo de caixa; 6, aplicações de renda fixa e o melhoramento dos retornos depois dos impostos através de alternativas estratégicas de investimentos; 7, agregação financeira e o gerenciamento de diversos "investment managers" e consultores; 8, técnicas para gerenciar um portfolio com uma baixa proporção de ações.
Ao lado desses temas técnico-financeiros, o seminário tratou também da questão organizacional e jurídica do "Family Office", da constituição de "Trusts", da conveniência ou não de se adotar paraísos fiscais para fixação de uma holding do "Family Office", da conveniência de se seguir leis anglo-saxônicas versus legislações romanas e assim por diante.
O tema é relativamente novo no Brasil e conhecido de apenas algumas dezenas de famílias. Contudo, esse número deverá crescer muito nos próximos anos, especialmente quando a preocupação com o quadro conjuntural brasileiro aumenta.
Todos nossos ativos referenciados em moeda brasileira tem perdido substância por causa do prolongado período de baixo crescimento do Brasil. Mas quando examinamos o valor de nossos ativos medidos em dólar a situação fica pior. Quem tinha um apartamento em 1994, ano do início do Plano Real e pagou por ele a preços de 1994, R$ 50 mil, tinha um ativo de US$ 50.000. A inflação entre 1994 e 2001, medida pelo IGPM, foi de cerca de 90% e portanto o preço corrigido do apartamento em Reais deveria ser de R$ 96 mil. Dificilmente o mercado acompanhou mais da metade dessa inflação, se tanto. Possivelmente seu valor hoje seria de R$ 75 mil. Portanto esse mesmo apartamento hoje vale apenas US$ 30.000. Seu proprietário perdeu uma considerável soma. Estratégias de "hedge" estão na moda e são também objeto de discussão do "Escritório da Família". Voltaremos ao tema oportunamente.