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O pensamento estratégico é algo que pode dar uma grande contribuição às empresas, especialmente para aquelas que se debatem com seus problemas do dia a dia, envolvendo os acionistas, donos, executivos. No Brasil de hoje, cheio de turbulências, incertezas, mudanças, é difícil ao empresário se isolar do turbilhão para se dedicar a refletir, pensar, armar seus planos de prazos mais longos, construir sua reflexão estratégica de maneira sólida. Mas isso fica cada dia mais importante, mais básico para definir o sucesso em relação aos caminhos do futuro.
A dificuldade prática é separar o esforço cotidiano de tais momentos de reflexão, de modo a não deixar as tarefas em geral intensas de natureza operacional mas também avançando com método o pensamento criativo, imaginativo, de certa maneira sonhador, que irá sedimentar a base dos rumos estratégicos.
É Gary Hamel que em artigo da Business Review1 fixa dez princípios que os formuladores de estratégias empresariais devem ter em mente:
- O planejamento estratégico em si não é estratégico e sim organizacional; trata-se de um calendário de eventos que envolve planos e subplanos em lugar de algo que levará a descobertas;
- A formulação estratégica tem algo de subversiva: grandes estratégias nascem de visões desafiantes e de mudanças do status quo em direção a coisas novas;
- O estrangulamento do pensamento estratégico é exatamente o topo: são os executivos sênior que têm as visões mais ortodoxas e por conseguinte a formulação inovadora precisa se livrar da tirania de suas experiências;
- Os revolucionários existem em todas as empresas; devemos deixa-los falar, tanto jovens quanto os mais velhos, de modo a mesclar os que advogam tentativas novas com os que são contribuintes testados, ambos grupos como parte das novas estratégias;
- As mudanças não são o problema mas sim o engajamento das pessoas, pois são elas que irão suportar as mudanças e aceitar a responsabilidade de implementa-las, dando-lhes assim algum controle sobre elas;
- Formular estratégias é algo que deve ser democrático: a capacidade de pensar estrategicamente não deve ser prerrogativa do pessoal senior; é impossível prever quando e onde uma idéia inovadora estaria nascendo;
- Qualquer pessoa pode ser um estrategista ativo: as pessoas que se preocupam com a organização não esperam permissão para agir;
- A estratégia subversiva significa ganhar uma nova perspectiva do mundo, olhar os mercados potenciais através de novos olhos;
- "Top - down" e "bottom - up" não são alternativas; se "top - down" pode conseguir unidade de propósitos entre poucas pessoas envolvidas, "botton - up" traz diversidade e perspectiva; devemos fazer funcionar os dois sentidos;
- Não se consegue enxergar o fim do começo: no caminho é preciso olhar as potencialidades e alternativas e delas "cavar" resultados, o que não é propriamente um caminho ortodoxo de formular estratégias.
Encerra Hamel seu artigo dizendo que estratégias nascem ora de visões, ora de análises; nem são necessariamente ocasionais, nem são obrigatoriamente fruto de ordenamentos e rituais; a sugestão é ouvir as novas vozes, fazendo com que o "top management" se habitue a isso, escutando jovens e trazendo diversidade para as formulações estratégicas. Usar novas conversas, novas paixões, ver novas perspectivas, ter novas experiências, de modo que pequenos experimentos, de baixo risco, possam acelerar o aprendizado da organização e indicar o que deve ser feito e o que não deve.
Gary Hamel escreveu entre outros livros, "Competing for the Future", com C. K. Prahalad (Harvard Press, 1994); "Alliance Advantage: The Art of Creating Value Through Partnering", Harvard Press, 1998; "Leading the Revolution", Harvard Press, 2000. Hamel é visto como um pensador progressista sobre estratégias, em uma linha de pesquisar as rápidas mudanças do ambiente e delas extrair oportunidades para a empresa, desafiando o status quo e a ortodoxia da gestão clássica empresarial. O seu último livro "Leading the Revolution" se propõe jogar fora o velho livro de regras e imaginar um futuro que ainda não foi visto, tomando a iniciativa para agir rumo a ele. Acrescentaria: "independente de nossa idade cronológica2".
1 Gary Hamel é PhD pela Michigan University, Visiting professor in strategic and international management na London Business School; o artigo referido é da HBR, Jul/Ag 1996; fonte, "Business, The Ultimate Resource"
2 Esse "Opinião" foi escrito para os empresários que a EFC tem assessorado nesses seus dez anos de vida, como um desafio e um convite à inovação e à mudança destrutivo-construtiva.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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