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Editoriais 09/06/2002

A semana foi marcada por enormes movimentos do mercado financeiro brasileiro, aqui e no exterior, numa grande mistura de pressões, especulação, nervosismo e erros graves de parte do nosso sistema financeiro, colocando em um tacho único o avanço do PT, o  aumento do risco Brasil no exterior e, para coroar, as perdas dos correntistas dos fundos.

Curiosamente, quanto maior a confusão, maior tem sido a demanda sobre explicações da EFC, solicitada para tentar - apenas tentar - colocar mais racionalidade e objetividade na situação. Na semana foram seis entrevistas na televisão e mais outro tanto para os principais jornais brasileiros.  E, em nossa tentativa de racionalidade, examinamos os fundamentos desse barulho todo, separando-o em duas partes: os Fundos e o chamado  "Risco Brasil". Vamos lá:

Os  fundos de investimento tem crescido exponencialmente no Brasil nos últimos anos, especialmente com a queda da inflação pós Plano Real. São  hoje, entre fundos de renda fixa e de renda variável,  R$ 340 bilhões aplicados, espalhados por mais de 2000 fundos. O quadro abaixo mostra que, enquanto os depósitos de poupança cresceram, entre 1.994 e 2001 em 168%, os fundos de renda fixa cresceram em 1.198%, ou seja, essas aplicações se multiplicaram por doze vezes em sete anos. 

Mas a fiscalização do Banco Central não cresceu de modo algum nessa proporção. Mais do que isso, há um espaço cinza entre a CVM, que olha a área de títulos e valores mobiliários na renda variável, ou seja, ações, e o Banco Central, que fiscaliza as instituições financeiras (bancos, corretoras, distribuidoras) que gerenciam os fundos. E o BC tem estado muito, muito ocupado mesmo com o "SPB", o novo sistema de pagamentos brasileiro.

A regra de marcação ao mercado ("mark to market" em inglês) é conhecida pela EFC desde 1980 e se baseia no princípio contábil do  conservadorismo. Diz ela: "contabiliza-se um ativo mobiliário pelo custo de aquisição mais o custo de financiamento  ou pelo valor de mercado, o menor dos dois". 

O manual de normas do Banco Central, na parte específica dos fundos de investimentos é muito claro e insiste nisso há anos. A Circular 2654  que regulamenta a apropriação de receitas e despesas nos fundos de investimentos é de 17 de janeiro de 1.996. Portanto, houve falha dos gestores dos fundos e da fiscalização, enganando os investidores, que não sabiam que poderiam perder parte de seus patrimônios.

A questão do risco Brasil: examinando-se os fundamentos macroeconômicos do Brasil não há nenhum motivo para sobressaltos: inflação controlada, metas do FMI sendo atendidas, saldos da balança comercial crescentes, déficit do balanço de pagamentos decrescendo, crescimento da economia pequeno mas positivo.

Então, o que há?  Fala-se no efeito Lula, em uma eventual discrepância entre o seu discurso e a percepção - futura - do que seria a realidade. Mas há uma grande dose de especulação e de jogo político nisso. Os dois efeitos se somaram, os grandes bancos americanos desovaram parte dos títulos brasileiros, certamente para recomprá-los mais baratos. Como me disse uma Vice Presidente de um grande banco europeu em um delicioso jantar em Genebra, no ano passado: "Carlos, 80% dos movimentos do mercado financeiro são causados por fatores psicológicos. Só 20% são gerados pelos fundamentos".

Os jornais do fim de semana trazem a confirmação dessa teoria psicológica: diz a Folha de São Paulo em sua manchete de  capa, serem do mega investidor Soros as afirmações de que "mercado imporá Serra ou será o caos; se Lula vencer assumirá numa situação tão difícil  que ele será obrigado a dar o calote". Não podemos esquecer que ele é um mega investidor e gosta de especular com países emergentes. Terrorismo lamentável!

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2839; efc@efc.com.br; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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