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Editorial: A questão cambial brasileira
Gradual mas inexoravelmente, o Brasil está virando um país exportador de commodities e perdendo competitividade industrial para o resto do mundo. Estamos cada vez mais sendo invadidos por produtos chineses, coreanos, taiwaneses e até mexicanos (automóveis). Nossas indústrias estão lentamente sendo erodidas por essa invasão, que vai de brinquedos a sapatos, de produtos eletrônicos a equipamentos e ferramentas, de auto-peças a componentes para motores, enfim, em todo o parque industrial brasileiro.
Quem estuda diabetes sabe que a progressão dessa doença é silenciosa, mas irreversível, afetando paulatinamente os sistemas nervoso, muscular, sensorial.O doente de diabetes, especialmente o de diabete em adultos, quando percebe sua condição pelos sintomas, já é tarde demais. Muitos ficam cegos, têm os pés amputados, sofrem enfartes.
Os efeitos do real supervalorizado têm uma progressão similar a essa doença maldita: a erosão de nossas empresas caminha inexoravelmente para deixarem de produzir e passarem a importar, consequencia do câmbio flutuante e da decorrente valorização do real.
O governo se diz impotente, quer no Ministério da Fazenda, quer no Banco Central. Isso me lembra um banqueiro nova-iorquino, que, sendo visitado por mim, me disse há alguns anos: “Who cares about Brazil?” É o caso de dizer em relação aos nossos dirigentes “Who cares about the exchange rate?” Ninguém de fato se preocupa com esse fato, largando para a teoria da “mão invisível” de Adam Smith a eventual reação da cotação do real. Mas o fato é que não só perdemos mercados para os quais exportávamos mas perdemos a competitividade industrial, que é a raiz de todo o progresso dos países.
Se fossemos considerar o critério do poder de compra, e fizéssemos uma comparação do preço do BIGMAC, sanduíche que é vendido igual em 161 países, nos teríamos que desvalorizar real em 25% em relação ao euro, 53,1% em relação ao dólar, 69,4% em relação ao Yuan chinês. Para competir com os chineses, nosso real deveria valer US$ 2,91 e não os atuais R$ 1,71 . “Who cares about”?

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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