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Editorial: O PAC e a gestão pública
R$ 638 bilhões de investimentos do PAC I, o Programa de Aceleração de Crescimento, número válido para o período 2007 -2010: esse valor significa R$ 159,5 bilhões por ano. Para um PIB do Brasil de R$ 3,2 trilhões, ele representa apenas 5% do Produto Interno Bruto anual, mas quanto desse investimento já está computado e qual a parte efetiva do Governo?
A questão básica é aumentar a qualidade da gestão pública nos três poderes, e não puxar o cobertor para cobrir o corpo e descobrir as pernas. Quanto ao setor privado, ele já faz o que pode. De qualquer maneira, é melhor ter um programa de investimentos do que não ter nada. Para um país que não acreditava em planejamento estratégico já vale a pena.
Sem poupança não há desenvolvimento. As taxas de poupança do Brasil são baixíssimas e boa parte da culpa por esse fato vem do Governo. Destravar o crescimento passa fundamentalmente por resolver uma série de questões acumuladas durante décadas. A principal delas, a nosso ver, é o custo das máquinas governamentais, não apenas do poder executivo federal, mas também dos governos estaduais e municipais, e ainda dos poderes legislativo e judiciário, todos eles cheios de ineficiências, muitos deles repletos de corrupção e desvios de verbas. São poucas e honrosas as exceções.
O Brasil tem sido manchado pela imagem dos apagões, mensalões e sanguessugas de todas naturezas, há décadas. De Gaulle já dizia “Le Bresil n'est pas un pays serieux”. O estadista francês certamente exagerou, mas não deixava de ter um fundo de razão.
Uma pesquisa de Harvard feita em 1987 e que comparou nove países, Reino Unido, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão, Taiwan, Coréia, Brasil e México concluiu que a raiz cultural determina a ideologia de um país e que esta responde pelo seu desempenho econômico e poder de competitividade.
Conclui a pesquisa que os governos brasileiros pouco fazem para mudar a estrutura social do país; no Brasil não tem havido, nesses seus quase 600 anos de vida, nenhuma preocupação fundamental para estrategicamente fazer tais mudanças.
O presidente Lula, no que pese o mar de lama que o rodeou, tem tido esse mérito indiscutível, referendado pela sua reeleição: pensou e tenta agir para reduzir a pobreza gritante da enorme porção do povo brasileiro. Mas descuidou da qualidade do que lhe tem cercado, inflou os cargos públicos com representantes de seu partido e coligados. Isso vai pesar muito na eleição. A própria Ministra candidata tem um passado de qualidade discutível.
Lula deveria ter atacado a questão brasileira não apenas com os “bolsas famílias” mas sim na sua essência, na qualidade gerencial de todos os três poderes e no combate sem trégua à corrupção. Será que ele teria querido fazer isso, agüentaria e conseguiria? Isso não iria fazer com que os pactos que tem com os seus correligionários e coopartidários se desmanchassem? Sem a coalizão política que Lula montou seu Governo teria acabado como o de Fernando Collor, que por muito menos foi destituído da posição de Presidente? O estudo de Harvard do ponto de vista sociológico está correto? Os eleitores de Outubro precisam refletir sobre esses pontos.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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