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Editoriais 05/03/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 05/março/2010     EDMAR052010.DOC Abrir/Imprimir em Word
            
Editorial:  A economia brasileira de Sarney a Lula II – Parte V[1]

            

·      O nascimento conceitual do Plano Real

Em 26 de setembro de 1984, André Lara Rezende publica na Gazeta Mercantil[2] um artigo mencionando o conceito de moeda indexada como meio para eliminar a inflação, artigo que teve grande repercussão e foi defendido pelo Professor Mário Henrique Simonsen, conforme relata o próprio Rezende[3], ao comentar a questão da origem inercial da inflação:

“Minha proposta para sair do impasse da inércia veio de uma discussão com Chico Lopes, que defendia um choque heterodoxo com congelamento de preços. Eu já trabalhava no Banco Garantia, no Sistema Financeiro, tinha uma visão prática e considerava impossível congelar os preços, isso iria provocar perdas e ganhos extraordinários entre credores e devedores. Os contratos embutiam expectativas de inflação alta e não poderiam prever uma intervenção agressiva do congelamento. Os contratos pressupõem uma taxa implícita de inflação. Quando se intervém com congelamento, as transferências de renda e riqueza entre credores e devedores ficam insustentáveis. Sempre respeitei e admirei o funcionamento do sistema de preços e tive uma grande implicância com o congelamento; ocorreu-me que a saída seria a indexação instantânea generalizada, a indexação da própria moeda.”

Rezende relata que as críticas a sua idéia foram de “uma inacreditável violência, a discussão acadêmica é muito complicada[4], percebi que é preciso fazer alianças para se defender uma idéia. Pérsio desde o início gostou da idéia e resolvemos escrever um artigo juntos[5]”. Estava nascendo o conceito utilizado pelo Plano Real que só seria infelizmente implantado dez anos depois, obrigando o país a passar os momentos terríveis dos congelamentos, do arresto da liquidez, da violência do autoritarismo policial aplicado à economia do Brasil.

·      O “paperLarida”: indexação completa para desindexar a economia

A combinação dos dois estudiosos de economia, Lara Rezende e Pérsio Arida criaram o conceito de moeda virtual, que muito mais tarde se materializou na URV, Unidade Real de Valor, chave do Plano Real.

O “paper” que produziram foi apresentado em Washington[6] em 1984, e gerou o apelido ‘Larida’. Diz Rezende, sobre sua visão da possibilidade concreta de se ter duas moedas, uma real e a outra virtual, correndo em paralelo: “o mecanismo de transição das duas moedas, uma que se valoriza em relação à velha, teria um grande apelo intuitivo, durando a transição apenas o tempo requerido para que a troca voluntária fosse feita, sem que houvesse obrigação de ficar com a moeda ruim.”

Pérsio Arida, em entrevista recente, explica a diferença entre o ‘Larida’ (de 1984) e a aplicação da URV, feita em 1994[7]: “Há diferenças, é claro, lá se foram mais de dez anos entre uma construção e outra. O ‘Larida’ tinha a idéia da circulação simultânea das duas moedas por um breve período de tempo, mas anos depois, cheguei à conclusão de que era uma idéia complicada demais, que se poderia obter todas as vantagens do ‘Larida’ com uma moeda virtual”.


[1]A EFC continua hoje a publicar por partes o capítulo V do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.

[2]Lara Rezende, “A moeda indexada: uma proposta para eliminar a inflação inercial”, Gazeta Mercantil, 26-28 de setembro de 1984.

[3]Em “Conversas com Economistas Brasileiros", organizado por Ciro Biderman, Luis Felipe Cozac e José Marcio Rego, Editora 34, 1996, página 289.

[4]Idem nota 3.

[5]André Lara Rezende e Pérsio Arida, “Inercial InflationandMonetaryReformin Brazil”.

[6]Apresentado no Institute ofInternationalEconomics, de John Williamson e Fred Bernstein, em 1984.

[7]Entrevista de Pérsio Arida em “Conversas com Economistas Brasileiros” , obra citada, pág. 355.

 

 


 

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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