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Editoriais 21/05/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 21/maio/2010     EDMAI212010.DOC Abrir/Imprimir em Word
            
Editorial:   A economia brasileira de Sarney a Lula II - Parte IX[1]

·      A análise da “Conjuntura Econômica” sobre o Plano Real

A Revista Conjuntura Econômica, através de seu redator chefe, o economista Lauro Faria, defende a mudança específica na política cambial, através de uma desvalorização do Real[2]. Ele é uma exceção, ao defender abertamente a aceleração das mini-desvalorizações e ao dizer que não vê “riscos em mudar o câmbio, e que a armadilha é ficar condicionado a um crescimento econômico de apenas 3 a 4%.

“O câmbio sobrevalorizado está na raiz do baixo crescimento, juros altos, desemprego e estagnação das exportações”, diz Lauro Faria[3]. “As autoridades, por motivos compreensíveis dados a propensão inflacionária da sociedade brasileira e o prestígio da estabilidade de preços em termos políticos, resistem a desvalorizar abruptamente a taxa de câmbio, a aumentar a faixa de flutuação do Real ou a acelerar as mini-desvalorizações mensais[4]”.

O editorial da revista argumenta que os receios do Governo e sua conduta atual, apostando nos acréscimos de produtividade e nas transformações estruturais, constituem uma estratégia que pode dar certo, mas é também arriscada, pois não há garantia alguma que tais aumentos de produtividade ocorrerão no montante e no tempo necessário para evitar um maior problema econômico ou social.

·      Gustavo Franco versusRudiger Dornbusch: um embate sobre o Real

Os jornais de domingo[5], 3 de agosto de 1997, exibem pontos de vista de dois acadêmicos que estão em posições opostas, pelo menos na aparência: o recém-escolhido Presidente do Banco Central do Brasil, Gustavo Henrique Franco, 41 anos, PhD por Harvard, e o Economista decano do M.I.T., Rudiger Dornbusch, mundialmente famoso, inclusive por ter prognosticado com boa antecedência a crise do México de 1994.

Dornbusch conhece o Plano Real desde seus primeiros esboços acadêmicos, que em verdade foram produzidos por André Lara Rezende e Pérsio Arida, como mencionado anteriormente. Lara Rezende havia escrito um artigo que o jornal Gazeta Mercantil publicou em setembro de 1984, dez anos antes de o Real aparecer. Nesse artigo, ele mencionava o conceito de “moeda indexada” como meio para eliminar a inflação, artigo esse que teve grande repercussão e foi defendido com entusiasmo pelo Professor Mário Simonsen. Pérsio Arida, que havia feito seu doutorado no M.I.T. gostou da idéia e com Lara Rezende resolveu escrever um novo artigo, que foi apresentado no Institute of International Economics, em Washington, em 1984. Lá estava Rudiger Dornbush, que então batizou o estudo dos dois economistas brasileiros de “paper Larida”, fundindo seus nomes.

Dornbusch, em viagem a Sidney, conforme conta o jornal brasileiro[6], faz um alerta: a sobrevalorização cambial do Real pode colocar o Brasil na mesma rota em que entrou o México em 1994. Ele estima essa sobrevalorização cambial em pelo menos 25% e diz que, embora a escala da economia brasileira ajude a financiar seu déficit, ele já é muito alto, 4% a 5% do PIB. Se o país quisesse, poderia deixar o câmbio flutuar livremente; ele cairia 15% à 20%, as exportações cresceriam, as importações cederiam um pouco, o déficit comercial seria abrandado e nada de ruim aconteceria com o plano de estabilização que, pelo contrário, seria fortalecido. Assim o Governo anteciparia as coisas em relação às eleições do final de 1998, e o Brasil não ficaria refém de um ataque especulativo a sua moeda.

A resposta de Gustavo Franco às críticas gerais que lhe são formuladas aparece também no noticiário de domingo[7], onde diz: “nós seríamos “neoburros” se não fizéssemos o que fazemos. O mundo não vai acabar por causa do déficit”.

As críticas principais que lhe são dirigidas (sucateamento da indústria nacional, desemprego, abertura desmesurada às importações, etc.), Franco responde na linha de que a atual política está forçando os empresários, inclusive os paulistas, a correrem atrás de produtividade, modernização, competitividade, movidos pela invasão de produtos que vêm do outro lado do mundo, melhores e mais baratos. Quanto ao desemprego, o ponto de vista de Franco é que ele é estrutural e não será uma mudança no câmbio que irá retê-lo, pois o Brasil precisa se inserir no âmbito da globalização, de qualquer modo.



[1] A EFC continua hoje a publicar por partes a parte V do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.

[2] Conforme artigo da Gazeta Mercantil de 28 de julho de 1997, página 4 e Revista Conjuntura Econômica, julho de 1997, página 24.

[3] Conforme referência da Gazeta Mercantil, 28/7/1997, página A-4.

[4] Carta do IBRE, “Três anos de Real”, Revista Conjuntura Econômica, julho de 1997, página 4.

[5] Folha de São Paulo, 3 de agosto de 1997.

[6] Jornal Folha de São Paulo, referido na nota anterior.

[7] Revista Veja, edição de 6 de agosto de 1997, artigo de capa sobre Gustavo Franco.

 


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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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