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Editoriais 08/05/2009

 
EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.

Semana Finda em 08/maio/2009     EDMAI082009.DOC Abrir/Imprimir em Word

Editorial:   A volatilidade do câmbio[1]

Carlos Coradi, presidente da EFC, em entrevista à Fabíola Cidral, no Programa Noite Total da CBN[2] de 08/05/2009 comenta a enorme volatilidade da cotação da moeda americana em relação ao Real, mostrando que o dólar se fosse corrigido pela inflação, deveria estar em R$ 4,40 e não nos atuais R$ 2,08. Reproduzimos abaixo alguns trechos dessa entrevista, que pode ser ouvida integralmente através do link mostrado no rodapé.

Fabíola: O dólar hoje teve o menor nível dos últimos sete meses apesar das ações realizadas pelo Banco Central para conter essa valorização do Real,.estou aqui com o Carlos Coradi para tentar entender porque essa alta e essa queda do dólar em 2009...

Coradi: Um pouquinho de história: no dia primeiro de julho de 1994 começou o Plano Real, quando uma URV, Unidade Real de Valor, era igual a um Real, que era a nova moeda, e igual a um Dólar. De 1994 até 1999 o câmbio no Brasil funcionou como praticamente fixo. Isso gerou um estrago muito grande nas contas externas brasileiras, o Brasil estava perdendo da ordem de cinco a sete bilhões de dólares por ano. Até 1999 nós já tínhamos perdido mais de vinte e cinco bilhões de dólares. O país estava literalmente quebrado. Na virada de Fernando Henrique I para Fernando Henrique II o Presidente, primeiro se reelegeu e em seguida correu para pedir ajuda ao Sr. Bill Clinton e para o Secretário do Tesouro e obteve com o FMI um empréstimo ponte, “bridge loan”. Nesse momento mudou a direção do Banco Central, saiu o Sr. Gustavo Franco e entrou o Sr. Armínio Fraga, que imediatamente colocou o câmbio flutuante, em março de 1999. E então o dólar pulou de 1,32 para 2,15 rapidamente. De lá para cá, com a adoção do câmbio flutuante temos um valor que varia de acordo com a entrada ou saída da moeda, como se fosse o tomate na feira, quando há um excesso de oferta o preço do tomate cai, mas se há uma geada e há uma escassez de tomate a oferta se reduz, o preço do tomate sobe muito.

Fabíola : é o mercado, lei da oferta e procura

Coradi: No primeiro momento o câmbio nos salvou de um desastre, rapidamente, nos próximos dois anos, o Brasil recuperou suas reservas, começou a exportar muito mais, fazer saldos comerciais cada vez maiores, e isso com o Lula nos trouxe até ao nível de quarenta bilhões de saldos comerciais ao ano e no ano passado, estávamos no processo inverso, fomos com esse câmbio flutuante a R$ 1,50, R$ 1,55, e ai a coisa ficou tão preta e coincidentemente parou a entrada de dólares pois os investidores estrangeiros começaram a sair do Brasil, e com isso levaram dólares para fora, o tomate ficou escasso e o preço subiu e ai foi a R$ 2,40.

Agora em maio de 2009 os americanos estão voltando a investir na bolsa de valores, que é a mais volátil de todas, e com isso há uma grande entrada de dólares coincidindo com a China outra vez começando a importar e portanto um ingresso adicional de divisas entrada adicional de dólares. Outra vez estamos vendo uma safra abundante de tomates e com isso o dólar caindo bastante.

Fabíola: Quando o dólar caiu bastante no ano passado, foi uma preocupação dos empresários, com muita reclamação com o governo, pedindo de certa forma uma valorização da moeda americana com os negócios com o exterior isso tem perigo de voltar, essa queda do dólar nesse início do ano pode ameaçar de certa forma a economia brasileira para quem pretende vender lá fora?

Coradi: Olha vai depender muito do andamento do comércio internacional porque o Brasil hoje basicamente é um exportador de commodities, nós exportamos muita soja, minério de ferro, e também automóveis, que caiu mais de 30% e os chineses voltaram a comprar minério de ferro e voltaram também a comprar soja e com isso se tem um ingresso maior de divisas, correspondendo a ter a safra de tomates aumentada. E por acaso, a bolsa de valores de São Paulo é a mais volátil de todas, os americanos estão voltando a investir. O Bovespa esteve em novembro de 2008 em vinte e nove mil pontos, fechou hoje quase a cinqüenta e um mil.

Fabíola: De que maneira a gente pode entender essa influência do mercado de câmbio no mercado de ações, a bolsa nessa semana fechou na oitava semana consecutiva de alta e no mercado de câmbio, podemos avaliar também como um mercado bom para o Brasil ou não?

Coradi: É o seguinte, se nós pegássemos aquele um real igual a um dólar no dia primeiro de julho de 1994, esse um para um daquele ano e se corrigíssemos pela inflação, teríamos hoje um dólar de quatro reais e quarenta centavos e então hoje nós estamos com um preço do dólar menos de cinquenta centavos daquele ponto de partida; isso quer dizer o seguinte: um exportador brasileiro que por exemplo exportava equipamentos para a Ásia toda, hoje com o valor metade do que conseguia não consegue mais exportar, a solução foi sair do negócio, vender a empresa para terceiros. Então o Brasil está se mantendo ainda com saldo comercial razoável por conta de minério de ferro, soja, e outras commodities mais importantes, tais como o álcool e exportação de excedentes de gasolina. Eu não sou um amante do câmbio flutuante, mas ele nos salvou em 1999, só que hoje ele nos estrangula e nos ameaça com essa volatilidade enorme.

Fabíola: Então o Sr. é um defensor do câmbio fixo?

Coradi: A china tem câmbio fixo. O Brasil nos seus quinhentos anos menos os anos atuais de 1999 a 2009 só teve câmbio fixo, embora hoje seja uma espécie de heresia alguém defender o câmbio fixo, mas eu não me envergonho de falar, porque a volatilidade do câmbio flutuante é muito, muito ruim para o exportador e muito ruim para o importador. O Banco Central não consegue segurar o dólar em um nível razoável e até diz que isso não é função dele, diz que sua função essencial é cuidar das metas de inflação embora tenha comprado grandes quantidades.

Fabíola: Ele diz que não mexe no câmbio mas volta e meia faz operações no mercado justamente para tentar conter mas sabe que de certa forma é incapaz de fazer isso devido ao tamanho do mercado.

Fabíola: Em quanto o Sr. fixaria o dólar hoje? 

Coradi: Se corrigíssemos aquele ponto de partida de 1994 com um real igual a um dólar pela inflação teríamos quatro reais e quarenta centavos, sei que isso é impossível mas também é insustentável aquele um e cinquenta e cinco que passamos por ele no ano passado, É um problema complicado. O Ministério da Fazenda deveria ter uma equação para isso, já fez algumas tentativas mas não teve força para colocar medidas mais positivas.Então ficamos ao sabor da maré...

Fabíola: Está certo, agradeço demais a entrevista, uma boa noite para o Sr.


[1] Fonte dessa entrevista: Rádio CBN, programa de Fabíola Cidral

PRECISANDO DE CAPITAL DE GIRO?

O BNDES ACABA MELHORAR O PROGRAMA PARA ATENDER AS NECESSIDADES DE CAPITAL DE GIRO!

NO PROGRAMA ESPECIAL DE CRÉDITO (PEC), HOUVE AUMENTO DO PRAZO TOTAL DE 24 PARA 36 MESES. O TOMADOR PASSA A TER PERÍODO DE CARÊNCIA DE 12 MESES, E MAIS 24 MESES ADICIONAIS PARA AMORTIZAÇÃO. 20/02/2009

BNDES  MELHORA CONDIÇÕES DE PROGRAMA DE CAPITAL DE GIRO – 29/01/2009

O BNDES ampliou os prazos de pagamento e amortização do Programa Especial de Crédito (PEC), que disponibiliza capital de giro para empresas, e as cooperativas agropecuárias também tiveram seu acesso a giro ampliado. O Banco também promoveu uma melhora expressiva nas condições oferecidas aos clientes do Cartão BNDES, com ampliação de prazos, limite e redução de juros. 

Capital de giro - No Programa Especial de Crédito, houve aumento do prazo total de 24 para 36 meses. O tomador passa a ter período de carência de 12 meses, e mais 24 meses adicionais para amortização. Originalmente, as empresas que solicitassem os recursos do PEC tinham 5 meses de carência e no máximo 8 meses para amortização. 

A vigência também foi prorrogada para 31 de dezembro de 2009. Na versão anterior, o programa, que tem dotação orçamentária de R$ 6 bilhões, vigoraria até 30 de junho. A linha de crédito tem valor máximo de R$ 50 milhões por empresa beneficiária, limitada a 20% da Receita Operacional Bruta (ROB) do último exercício fiscal. Para fins de cálculo desse limite de 20% é considerada a ROB individual da própria beneficiária, ainda que ela pertença a um grupo econômico. 

O objetivo do programa é promover a competitividade das empresas brasileiras, em especial as micro, pequenas e médias, suprindo a escassez de crédito no mercado.

 ATENÇÃO: O BNDES ACABA DE AUMENTAR O PRAZO PARA 36 MESES, INCLUINDO 12 MESES DE CARÊNCIA!

VEJA DETALHES EM http://www.bndes.gov.br/produtos/download/Circ016_09.pdf

 

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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