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Semana Finda em 26/feveiro/2010     EDFEV262010.DOC Abrir/Imprimir em Word
Editorial:  A economia brasileira de Sarney a Lula II – Parte IV[1]

  • O Plano Collor

O Plano Verão, o quarto do Governo Sarney, havia fracassado no combate à inflação. No final de seu Governo, no início de 1990, já desgastado pelos três Planos anteriores, a inflação chegaria aos níveis de hiperinflação: 56% em janeiro, 73% em fevereiro e 84% em março, quando toma posse o Presidente Fernando Collor. O Plano Collor havia sido preparado com bastante antecedência, mas mesmo dentro da equipe que preparava o novo Governo, o silêncio era total[2]. A base central do Plano Collor era uma drástica redução da moeda em circulação. O Plano Collor optou por esse caminho, ao bloquear 70% dos ativos financeiros do setor privado, congelando os preços, passando o câmbio a ser flutuante, criando uma nova moeda, o Cruzeiro, para a qual foram imediatamente convertidos os 30% dos ativos financeiros liberados.

O Plano Collor foi de uma violência inaudita, empurrado de cima para baixo, desestruturando empresas e pessoas, desorganizando o sistema produtivo. A atividade econômica caiu muito (-6,8% em março de 1990 e -22,3% em abril). No mês de março de 1990, conforme um estudo da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) as vendas industriais em São Paulo foram reduzidas de 70% na segunda metade do mês[3]. Em abril de 1990, o índice de ocupação das indústrias de São Paulo havia caído ao seu nível mais baixo desde que começou a ser calculado nos anos 60: 69%. Apesar da recessão, a inflação voltou, e em maio de 90, o índice FIPE[4] de custo de vida já acusava 6,4% ao mês ou 110% ao ano.

No final do Plano Cruzado, em janeiro de 1987, e após as eleições de novembro de 1986, um grande número de empresas se achava com problemas graves, com alto endividamento, completamente desorientados. As vendas haviam refluído, passada a euforia dos primeiros meses do Cruzado.

  • A conclusão da imprensa sobre o Plano Collor

Sempre se pode argüir que a imprensa não é totalmente livre de interesses, claro. Mas as manchetes de 1991 são enfáticas em realçar os problemas do Plano Collor, um ano após seu lançamento, com dados que são incontestáveis, conforme se transcreve abaixo:

“A inflação se descontrola e sobe para 29% em fevereiro de 1991”; “a pobreza não diminui, o PIB per capita cai do índice 100 em 1980 para 96,1 em 1990”; “Recebido com tédio por uns e desdém por muitos, o novo choque simboliza um Governo que fala de um jeito e age de outro”, manifestando-se a respeito do Plano Collor II, tentativa de corrigir os rumos (perdidos) do Collor I. Tristes experimentos em cima do povo brasileiro, que depositou tanta confiança em Fernando Collor e muito se frustrou com tudo o que se passou nesse Governo...

  • Razões do fracasso do Plano Collor

Os economistas mais conceituados do Brasil enumeram diversas razões para o Plano Collor não ter funcionado, razões de natureza técnica, algumas bastante complexas e ligadas a equações matemáticas e econométricas. Gostaríamos de tentar uma explicação baseada na teoria das expectativas: A teoria das expectativas é um modelo de explicação do comportamento humano baseado na idéia de que, quando as pessoas fazem escolhas entre caminhos distintos, não só consideram o valor que cada resultado representa para si mas também as chances que cada um destes caminhos possuem.

Na campanha do então candidato Collor, a expectativa que ele criou no povo brasileiro foi enorme; o país vinha de mal a pior através de sucessivos ensaios dos economistas, monitorando e testando suas teorias em 150 milhões de pessoas. O Plano, contudo, foi de uma violência inaudita, atingindo o pequeno poupador, aquele que tinha suas economias depositadas na caderneta de poupança, até então intocada pelos planos anteriores. Os empresários também foram atingidos em cheio pelo congelamento de seus ativos financeiros.

A soma de expectativas frustradas foi desastrosa, na medida em que o cenário real se distanciava do quadro prometido durante a campanha, culminando com o fracasso do Plano e com a posterior cassação de um Presidente que teve um apoio gigantesco da população brasileira e o perdeu por conta do descolamento entre o que prometeu e a realidade de fato vista pela Nação.


[1] A EFC continua hoje a publicar por partes o capítulo IV do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.

[2]O autor participava, na ocasião, da equipe que preparava o Governo Collor. Os detalhes do Plano não vazaram.

[3]Fonte: Luis Carlos Bresser Pereira e Yoshiaki Nakano no artigo “Hiperinflação e estabilização no Brasil: o primeiro Plano Collor” na Revista de Economia Política, Vol.II, n.4, out/dez/91

[4]Idem nota 3


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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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