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Editoriais 19/02/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 19/feveiro/2010     EDFEV192010.DOC Abrir/Imprimir em Word
 
Editorial:  A economia brasileira de Sarney a Lula II – Parte III[1]

O Plano Bresser

O Plano Bresser surgiu em junho de 1987, após o fracasso do Plano Cruzado em acabar com a inflação. Luiz Carlos Bresser Pereira, na condição de Ministro da Fazenda do Presidente Sarney e sucedendo Dílson Funaro, criador do Cruzado, entende que o Plano que levava seu nome não foi desenhado para acabar e sim frear a inflação e diz: “O Plano Bresser não pretendia acabar com a inflação, mas apenas freá-la momentaneamente. Não estavam incluídos, ao contrário dos outros Planos, uma reforma monetária, a desindexação da economia e o congelamento da taxa de câmbio”.

No final do Plano Cruzado, em janeiro de 1987, e após as eleições de novembro de 1986, um grande número de empresas se achava com problemas graves, com alto endividamento, completamente desorientados. As vendas haviam refluído, passada a euforia dos primeiros meses do Cruzado.

O saldo comercial se reduziu e o país entrou em moratória. Foi nesse cenário que assumiu o novo Ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira. Ele tentou um congelamento sem eliminar a indexação, estabelecendo mecanismos de saída do congelamento em 90 dias. Os juros foram baixados sem, contudo ficarem negativos. A economia, em pouco tempo, voltou a ter altas taxas de inflação e a se indexar toda, pelos mecanismos que já conhecia.

O Plano Verão

No dia 15 de janeiro de 1989, após três tentativas anteriores (Cruzado I, Cruzado II, Plano Bresser), o Governo do Presidente Sarney decretou novo congelamento de preços, que dessa vez, se dizia acompanhado por medidas fiscais e monetárias rígidas, novo choque heterodoxo inspirado nas experiências anteriores mal sucedidas. O Presidente, em mensagem à nação, declara guerra total ao processo inflacionário, “com as armas mais duras e as medidas mais profundas jamais tomadas neste país para enfrentar esse problema”. E agrega: “sem as medidas de hoje, a inflação poderia chegar a 1500% ao ano; a inflação destrói a sociedade, corrompe os valores morais e espirituais que a sustentam, a imagem do Governo e do próprio país”.

Sarney acreditava que, dessa vez, as pré-condições estavam obtidas: preços relativos alinhados, relações com a comunidade internacional financeiras normalizadas, mercado interno abastecido, e controle eficaz do déficit público. Sarney decretou o congelamento geral de preços, eliminou o Decreto Lei que criava reajustes mensais de salário (de junho de 1987), manteve as cadernetas de poupança com reajustes mensais e com juros; criou nova moeda, o Cruzado Novo, cortando três zeros do antigo Cruzado, e desvalorizou o câmbio em 17%, de modo a criar a paridade de um Cruzado Novo igual a um dólar. O câmbio foi centralizado no Banco Central. A Polícia Federal e a Receita Federal foram mobilizadas para acompanhar a fiscalização dos preços.

O Plano Verão pretendia ser ortodoxo na política monetária, usando altas taxas de juro reais. Mas a falta de suporte político e o desgaste do Governo, depois de várias tentativas de estabilizar a economia, levaram também o Plano Verão ao fracasso.

 


[1]A EFC continua hoje a publicar por partes o capítulo IV do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.


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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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