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Editoriais 12/02/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 12/feveiro/2010     EDFEV122010.DOC Abrir/Imprimir em Word
 
Editorial:  A economia brasileira de Sarney a Lula II – Parte II[1]

Do Cruzado nasce a teoria que iria embasar o Plano Collor

É Eduardo Carvalho quem faz a formulação de que, da análise das dificuldades efetivas do Plano Cruzado nasceram os conceitos do Plano Collor: “chegou-se então à tese da impossibilidade de estabilizar os preços e desindexar a economia sem antes bloquear ou ao menos reduzir a liquidez das aplicações financeiras, pois sem isso não haveria taxa de juros capaz de manter a estabilidade dos mercados[2]”. O bloqueio dos ativos financeiros de 1990 nasceu nesse momento.

As falhas do Plano Cruzado

O excesso de demanda causado pelo Plano Cruzado ficou evidente em pouco tempo e sua expressão mais clara era dada pelas gôndolas dos supermercados vazias. Artigo publicado em 20 de junho de 1986 nos jornais e de autoria do economista Celso Martone dizia[3]: “Passados quase quatro meses da edição do Plano Cruzado multiplicam-se sinais de excesso de demanda na economia devido ao congelamento de preços ao consumidor e políticas monetária e fiscal frouxas; junte-se a isso o fato de que a economia está operando a pleno emprego e a pleno uso da capacidade instalada e ter-se-á um quadro econômico insustentável a médio prazo”.

Conforme ressalta Pedro Bodin, o desenho da política monetária que se segue a um Plano de Estabilização Econômica é um elemento crucial para o sucesso do Plano[4]. No caso do Plano Cruzado, a política monetária foi folgada; havia medo de que o programa viesse a ser recessivo e “ingenuidade quanto à influência da taxa de juros na formação de expectativas dos agentes econômicos, e isso levou a uma política monetária excessivamente folgada”[5].

Os primeiros momentos do Plano Cruzado foram de euforia: a inflação caiu por terra, os salários aumentaram, os preços estavam estáveis. Em julho, quatro meses após o início do Plano, a preocupação com a demanda excessiva e generalizada já era grande. Muitos produtos tinham ágio, cobrado “por fora”[6]. Havia escassez de produtos nas gôndolas de supermercados.

Na famosa operação de “caçar boi no pasto com helicópteros”, a Polícia Federal tentou provar que pecuaristas estavam escondendo o gado no pasto para não vender na tabela. O Plano Cruzado fazia água. Em um mercado do tamanho do Brasil, onde cada fazendeiro pode vender seu gado na porteira, a polícia federal não conseguiu atender o governo, a não ser pelo efeito demonstração, aliás ineficaz.


[1]A EFC continua hoje a publicar por partes o capítulo IV do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.

[2] Artigo citado na nota anterior, p.132 do Livro citado.

[3] “Um quadro de excesso de demanda”, Celso Martone, Folha de São Paulo, reproduzido em “O Plano Cruzado na visão dos economistas da USP”, Livraria Pioneira, SP, 1986.

[4] “Liquidez e choques anti-inflacionários”, artigo citado, página 34, mesma referência da nota 1.

[5] Conforme relata Pedro Bodin Moraes no artigo citado da Revista de Economia Política.

[6]O autor pagou ágio na pizza, sob alegação de que a mussarela estava sendo comprada com ágio.

 

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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