|
EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Editorial: A economia brasileira de Sarney a Lula II – Parte II[1]
Do Cruzado nasce a teoria que iria embasar o Plano Collor
É Eduardo Carvalho quem faz a formulação de que, da análise das dificuldades efetivas do Plano Cruzado nasceram os conceitos do Plano Collor: “chegou-se então à tese da impossibilidade de estabilizar os preços e desindexar a economia sem antes bloquear ou ao menos reduzir a liquidez das aplicações financeiras, pois sem isso não haveria taxa de juros capaz de manter a estabilidade dos mercados[2]”. O bloqueio dos ativos financeiros de 1990 nasceu nesse momento.
As falhas do Plano Cruzado
O excesso de demanda causado pelo Plano Cruzado ficou evidente em pouco tempo e sua expressão mais clara era dada pelas gôndolas dos supermercados vazias. Artigo publicado em 20 de junho de 1986 nos jornais e de autoria do economista Celso Martone dizia[3]: “Passados quase quatro meses da edição do Plano Cruzado multiplicam-se sinais de excesso de demanda na economia devido ao congelamento de preços ao consumidor e políticas monetária e fiscal frouxas; junte-se a isso o fato de que a economia está operando a pleno emprego e a pleno uso da capacidade instalada e ter-se-á um quadro econômico insustentável a médio prazo”.
Conforme ressalta Pedro Bodin, o desenho da política monetária que se segue a um Plano de Estabilização Econômica é um elemento crucial para o sucesso do Plano[4]. No caso do Plano Cruzado, a política monetária foi folgada; havia medo de que o programa viesse a ser recessivo e “ingenuidade quanto à influência da taxa de juros na formação de expectativas dos agentes econômicos, e isso levou a uma política monetária excessivamente folgada”[5].
Os primeiros momentos do Plano Cruzado foram de euforia: a inflação caiu por terra, os salários aumentaram, os preços estavam estáveis. Em julho, quatro meses após o início do Plano, a preocupação com a demanda excessiva e generalizada já era grande. Muitos produtos tinham ágio, cobrado “por fora”[6]. Havia escassez de produtos nas gôndolas de supermercados.
Na famosa operação de “caçar boi no pasto com helicópteros”, a Polícia Federal tentou provar que pecuaristas estavam escondendo o gado no pasto para não vender na tabela. O Plano Cruzado fazia água. Em um mercado do tamanho do Brasil, onde cada fazendeiro pode vender seu gado na porteira, a polícia federal não conseguiu atender o governo, a não ser pelo efeito demonstração, aliás ineficaz.
[2] Artigo citado na nota anterior, p.132
[3] “Um quadro de excesso de demanda”, Celso Martone, Folha de São Paulo, reproduzido em “O Plano Cruzado na visão dos economistas da USP”, Livraria Pioneira, SP, 1986.
[4] “Liquidez e choques anti-inflacionários”, artigo citado, página 34, mesma referência da nota 1.
[5] Conforme relata Pedro Bodin Moraes no artigo citado
[6]O autor pagou ágio na pizza, sob alegação de que a mussarela estava sendo comprada com ágio.
|
"Análise do Desempenho de Bancos no Brasil”, estudo publicado anualmente com cerca de 130 bancos, praticamente todo o sistema bancário brasileiro, são analisados de acordo com seus balanços publicados. Disponibiliza uma base de dados padronizada das contas dos balanços, segundo as normas do Banco Central, e uma série de indicadores de desempenho que são apresentados em tabelas e gráficos classificando os bancos conforme cada indicador, em duas versões: impresso e em CD-ROM. É apresentado em Português e Inglês em dois volumes: um com a base de dados com padronização do COSIF outro com a análise e um texto sobre a evolução do Sistema Bancário Brasileiro. Saiba mais...
|
|
Estudo completo sobre corretoras disponível, incluindo balanços publicados devidamente encadernados. Na aquisição do estudo tenha acesso aos estudos de
1997 a 2008.
Adquira já...
|
|
Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
|
|
|