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Editorial: Deterioração das Contas Externas do Brasil - Parte 2
Em nosso Opinião do dia 04/12/2009 comentamos o agravamento das contas externas do Brasil, com uma importante aumento nos saldos negativos em “serviços e rendas”, que foi de que foi de US$ -48,4 bilhões nos dez meses de 2008 e de US$ -40,08 bilhões no mesmo período de 2009.
Nas contas externas, os saldos comerciais, compostos por exportações menos importações constituem a base gerarmos dólares “saudáveis”, oriundos do esforço do comércio exterior. Aos saldos comerciais somam-se algebricamente os saldos da conta de serviços e rendas, mas aqueles não têm sido suficientes para cobrir estes e gerar superávits no balanço de pagamentos.
O Brasil compensa esse “furo” com o fluxo de investimentos diretos no país e com a entrada de dinheiros especulativos. Contudo, os investimentos diretos custam royalties e dividendos, que tem que ser continuamente pagos e por sua vez a entrada especulativa é fugaz e foge ao primeiro sinal de queda na bolsa de valores ou de algum outro tipo de desarranjo político - econômico.
É oportuno lembrar que o Brasil ainda é devedor de uma grande importância ao exterior e embora tenhamos um enorme volume de reservas (mais de US$ 230 bilhões) devemos US$ 35,9 bilhões de curto prazo e US$ 168,2 bilhões de longo prazo[1] e que, há vinte e três anos atrás, o Brasil já esteve em default com sua dívida externa. A esse propósito reproduzimos parte de um estudo recente da Unicamp[2]:
“A deterioração da situação externa, sintetizada na forte redução das reservas internacionais, foi um ingrediente importante da conjuntura. Ela desaguou em outro lance da política econômica, em tese de conteúdo impactante: em 20 de fevereiro de 1987 o governo Sarney anunciava solenemente a moratória dos juros da dívida externa, sinalizando a intenção de perseguir uma redução expressiva das transferências ao exterior. É admissível que esse objetivo estivesse contemplado nos planos da política econômica desde a posse de Funaro dada a prioridade conferida ao crescimento econômico e a taxativa recusa da política de ajuste externo imposta pelo FMI. Quando sobreveio a decisão, visando mudar os termos da negociação com os credores privados, um acerto em moldes promissores acabara de ser firmado com as instituições oficiais.”
O grande fator causal do desequilíbrio atual de nossas contas externas, que está causando um dano silencioso mas mortal em nossas exportações industriais, é o real excessivamente valorizado, tema em que temos insistido em nossos comentários semanais. O câmbio valorizado liquida com nossas exportações industriais e estimula o abandono da produção brasileira para substituí-la por produtos importados, muito especialmente da China. Visitamos recentemente uma fábrica brasileira de relês e disjuntores elétricos que decidiu parar sua produção para vender similares chineses, já embarcados do outro lado do mundo com os letreiros em português. Encontramos um chapéu de palha que compramos na praia, crentes que era nordestino, com o rótulo de “Made in China”. As exportações de manufaturados entre Janeiro – Junho de 2009 caiu 30,6% em relação a 2008, enquanto que as exportações de produtos primários caíram no mesmo período apenas 7,4%. Entre 2005 e 2008 perdemos mais de mil pequenas empresas exportadoras. Conforme terminamos nosso último “Opinião”, “quem se importa com isso?”
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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