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Editoriais 23/04/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 23/abril/2010     EDABR232010.DOC Abrir/Imprimir em Word
            
Editorial:   A economia brasileira de Sarney a Lula II - Parte VII[1]

·      A avaliação de Jeffrey Sachs sobre o Plano Real em 1995

Um ano após o início do Plano Real, um estudioso de Harvard e um economista da Universidade de São Paulo, Jeffrey Sachs e Álvaro Zini Jr. publicam um artigo avaliando o novo Plano de estabilização brasileiro. Os autores dizem que “toda estabilização bem sucedida deve atender três requisitos: 1º, precisa apresentar uma solução para as questões do desequilíbrio orçamentário crônico; 2º, tem que conter um método para eliminar os efeitos inerciais da inflação; 3º, deve contar com a introdução de uma ou mais âncoras nominais para deter a evolução da inflação após a introdução do Plano”.

A crítica de Sachs e Zini aos Planos anteriores se fundamenta no fato de que nenhum deles continha os três elementos simultaneamente. Nos anos que antecederam o lançamento do Plano Real, os autores mostram que o déficit operacional estava relativamente controlado: em porcentagem do PIB, foi de -1,3% em 1990, 0% em 1991, 1,6% em 1992 e -0,2% em 1993. Ou seja, a elevadíssima inflação brasileira nessa época não era fundamentalmente causada pelo desequilíbrio orçamentário. Já quanto à inflação inercial, ela era alta em virtude da indexação generalizada, do uso da pós-fixação de preços e salários; em adição, o estoque de moeda não conseguia ser uma âncora monetária por ser a base monetária brasileira dos anos que antecederam a Real muito pequena em relação ao PIB e o câmbio estava praticamente indexado.

Embora considerando que o Plano Real apresentou uma solução engenhosa para a questão da inércia da inflação brasileira, os autores acreditavam, em 1995, que o Plano não havia resolvido totalmente a questão de uma âncora monetária com relação aos preços. Eles terminam alertando que o verdadeiro teste do Real se faria quando viessem as eleições presidenciais (o artigo foi escrito em 1995) e as pressões conseqüentes para se aumentar os gastos governamentais.

Então, após as eleições, o Governo teria a oportunidade para fazer os reajustes necessários no Real, com a idéia de consolidá-lo.

·      A avaliação do Governo sobre os três anos do Plano Real

Quando o Plano Real completou três anos, o Governo Federal promoveu uma série de comemorações sobre as conquistas que, a seu ver, foram obtidas. Para lastrear tais eventos, mandou fazer e publicou uma série de estudos sobre os pontos principais do Plano. Um desses trabalhos pode ser consultado pela Internet no endereço do próprio Governo: www.radiobras.gov.br/secompr/planoreal. As conclusões principais são apresentadas a seguir de um modo resumido:

1.      A queda da inflação é a vitória central do Plano; quando medida por valores mensais, a inflação de doze meses (média móvel) caiu de 30% em junho de 1995 (ou seja, abrangendo o período de maio de 1994 a junho de 1995) para 0,5% ao mês em maio de 1997 (período de abril de 1996 à maio de 1997).

(Continuaremos na parte VIII)


 




[1] A EFC continua hoje a publicar por partes a parte V do livro “História das Instituições Financeiras no Brasil” referente à evolução de nossa economia durante seu último quarto de século. Esse livro é uma publicação interna da EFC, não sendo encontrado em livrarias.

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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