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Editorial: A economia brasileira de Sarney a Lula II - Parte VII
· A avaliação de Jeffrey Sachs sobre o Plano Real em 1995
Um ano após o início do Plano Real, um estudioso de Harvard e um economista da Universidade de São Paulo, Jeffrey Sachs e Álvaro Zini Jr. publicam um artigo avaliando o novo Plano de estabilização brasileiro. Os autores dizem que “toda estabilização bem sucedida deve atender três requisitos: 1º, precisa apresentar uma solução para as questões do desequilíbrio orçamentário crônico; 2º, tem que conter um método para eliminar os efeitos inerciais da inflação; 3º, deve contar com a introdução de uma ou mais âncoras nominais para deter a evolução da inflação após a introdução do Plano”.
A crítica de Sachs e Zini aos Planos anteriores se fundamenta no fato de que nenhum deles continha os três elementos simultaneamente. Nos anos que antecederam o lançamento do Plano Real, os autores mostram que o déficit operacional estava relativamente controlado: em porcentagem do PIB, foi de -1,3% em 1990, 0% em 1991, 1,6% em 1992 e -0,2% em 1993. Ou seja, a elevadíssima inflação brasileira nessa época não era fundamentalmente causada pelo desequilíbrio orçamentário. Já quanto à inflação inercial, ela era alta em virtude da indexação generalizada, do uso da pós-fixação de preços e salários; em adição, o estoque de moeda não conseguia ser uma âncora monetária por ser a base monetária brasileira dos anos que antecederam a Real muito pequena em relação ao PIB e o câmbio estava praticamente indexado.
Embora considerando que o Plano Real apresentou uma solução engenhosa para a questão da inércia da inflação brasileira, os autores acreditavam, em 1995, que o Plano não havia resolvido totalmente a questão de uma âncora monetária com relação aos preços. Eles terminam alertando que o verdadeiro teste do Real se faria quando viessem as eleições presidenciais (o artigo foi escrito em 1995) e as pressões conseqüentes para se aumentar os gastos governamentais.
Então, após as eleições, o Governo teria a oportunidade para fazer os reajustes necessários no Real, com a idéia de consolidá-lo.
· A avaliação do Governo sobre os três anos do Plano Real
Quando o Plano Real completou três anos, o Governo Federal promoveu uma série de comemorações sobre as conquistas que, a seu ver, foram obtidas. Para lastrear tais eventos, mandou fazer e publicou uma série de estudos sobre os pontos principais do Plano. Um desses trabalhos pode ser consultado pela Internet no endereço do próprio Governo: www.radiobras.gov.br/secompr/planoreal. As conclusões principais são apresentadas a seguir de um modo resumido:
1. A queda da inflação é a vitória central do Plano; quando medida por valores mensais, a inflação de doze meses (média móvel) caiu de 30% em junho de 1995 (ou seja, abrangendo o período de maio de
1994 a junho de 1995) para 0,5% ao mês em maio de 1997 (período de abril de 1996 à maio de 1997).
(Continuaremos na parte VIII)
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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