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Editorial: Inflação, Selic e Crédito
A inflação brasileira tem, ao longo dos 15 anos do Plano Real, decrescido sistematicamente. Mas não está controlada por completo, como mostra o gráfico 1 abaixo: dos cinco indicadores utilizados (INPC, IPCA, IGP-DI, IPC-FIPE a Média) todos estavam acima de 5% em 2008, e um deles, o IGP-DI estava próximo de 10%. Além disso, a dispersão dos indicadores é muito grande, o que pode ser visto em 1999, 2002 e nos dados de 2009, referentes aos três primeiros meses do ano. Essa dispersão reflete as diferentes maneiras através das quais o dano da inflação afeta as diferentes classes de renda dos brasileiros e das empresas, gerando um desconforto social que ainda não terminou. Como os economistas sabem e explicam, o Brasil tem muitos fatores de sua estrutura de custos que são ainda indexados, como por exemplo, tarifas de energia elétrica, pedágios, multas sobre atrasos de recolhimentos de impostos, etc. Um empresário que tenha atrasado com impostos em 2001 e tenha tido multas e correções monetárias pela taxa selic, ficou absolutamente onerado até hoje pelos picos de inflação de 2002.

Um elemento importante para a economia brasileira é a chamada taxa selic, a taxa “prime” brasileira. Ela, fixada pelo nosso Banco Central, é um elemento importante (segundo os economistas) de controle da inflação. Mas é também uma causa da realimentação da inflação, como dissemos acima. A pergunta que fica no ar é se uma taxa seguidamente alta da taxa selic mata de vez com a inflação ou não. Testamos essa hipótese em um estudo simples de correlação entre as duas variáveis. E como os economistas dizem que o efeito do aumento (ou diminuição) da taxa selic leva certo tempo para se fazer sentir, defasamos os dados da inflação de um ano à frente dos dados da selic. O gráfico 2 abaixo mostra que o coeficiente de correlação entre as duas variáveis é baixíssimo, apenas 0,05 ou 5%. Ou seja, o mérito de altas taxas selic sobre a justificativa de reduzir a inflação parece não se sustentar. Certamente muitas outras variáveis afetam a inflação, sendo a taxa Selic apenas uma.

A questão do Crédito bancário sempre foi controversa: é escasso no Brasil por que é caro? É caro por que a inadimplência é alta? Ou ela é alta porque o crédito é caro? A briga entre o sistema bancário setores empresariais e o governo em verdade não tem sido muito racional. Os bancos têm sua dose de culpa e suas razões também porque relutam em baixar os spreads, alegando que a cunha fiscal é enorme. No que têm razão, evidentemente. Os governos brasileiros têm sido historicamente “gastões”, cada vez se incham mais, não poupam e gastando mais procuram arrecadar mais elevando impostos de todas as maneiras possíveis. As empresas também têm culpas e razões. Muitas sonegam, mas a queixa da elevada carga tributária sobre elas é válida. Por conta desses fatos, falar de um empréstimo de capital de giro para um banqueiro é ouvir a resposta de que não há tal disponibilidade e de que três anos é longo prazo. O gráfico 3, elaborado por um ex diretor do Banco Central, mostra como estamos atrasados na fatia de crédito
em relação ao PIB, quando nos comparamos aos outros países:
Nos 41% da relação Crédito/PIB do Brasil está incluída uma boa parcela do chamado crédito “direcionado”, que em 2009 reponde por quase 30% do total. Portanto, o crédito livre, de responsabilidade dos bancos que atuam no Brasil, não é mais do que 30% do PIB. Resulta que o Brasil está no nível mais baixo de todos os demais países se vê no gráfico.

O Banco do Brasil está fazendo uma tentativa de, meio unilateralmente, baixar os “spreads”. O Governo induziu a demissão de seu presidente, por não estar satisfeito com a busca dessa meta. Os grandes bancos privados brasileiros deveriam seguir essa tendência. Um deles poderia tomar essa iniciativa, e usá-la como ferramenta estratégica.
Outro ponto importante é a iniciativa do BNDES em oferece capital de giro para as empresas, até o limite de 20% da receita operacional bruta de 2008. A demanda é muito grande, especialmente para as empresas pequenas e médias, que são as grandes geradoras de empregos no Brasil. Contudo, as regras atuais do BNDES exigem que, para pedidos inferiores a trinta milhões de reais, a empresa procure um banco. E aí começam as dificuldades, pois os bancos serão co-garantidores perante o BNDES. Argumentam eles que o spread permitido pelo BNDES é muito baixo e o risco é grande. No “frigir dos ovos”, apenas as grandes empresas têm acesso a esse capital de giro. E infelizmente o governo tem sido insensível aos reclamos dos empresários. Aqui também um grande banco de varejo poderia inovar. Criando um acesso via “plataforma especial”. O governo, por sua vez, poderia, com rapidez, criar um seguro de crédito para cobrir esses casos, cuja taxa seria paga de bom grado pelas empresas que necessitam tal capital de giro. Esperemos que nossos amigos banqueiros leiam essas notas e adotem tais estratégias. Sejamos otimistas!
PRECISANDO DE CAPITAL DE GIRO?
O BNDES ACABA MELHORAR O PROGRAMA PARA ATENDER AS NECESSIDADES DE CAPITAL DE GIRO!
NO PROGRAMA ESPECIAL DE CRÉDITO (PEC), HOUVE AUMENTO DO PRAZO TOTAL DE 24 PARA 36 MESES. O TOMADOR PASSA A TER PERÍODO DE CARÊNCIA DE 12 MESES, E MAIS 24 MESES ADICIONAIS PARA AMORTIZAÇÃO. 20/02/2009

BNDES MELHORA CONDIÇÕES DE PROGRAMA DE CAPITAL DE GIRO – 29/01/2009
O BNDES ampliou os prazos de pagamento e amortização do Programa Especial de Crédito (PEC), que disponibiliza capital de giro para empresas, e as cooperativas agropecuárias também tiveram seu acesso a giro ampliado. O Banco também promoveu uma melhora expressiva nas condições oferecidas aos clientes do Cartão BNDES, com ampliação de prazos, limite e redução de juros.
Capital de giro - No Programa Especial de Crédito, houve aumento do prazo total de 24 para 36 meses. O tomador passa a ter período de carência de 12 meses, e mais 24 meses adicionais para amortização. Originalmente, as empresas que solicitassem os recursos do PEC tinham 5 meses de carência e no máximo 8 meses para amortização.
A vigência também foi prorrogada para 31 de dezembro de 2009. Na versão anterior, o programa, que tem dotação orçamentária de R$ 6 bilhões, vigoraria até 30 de junho. A linha de crédito tem valor máximo de R$ 50 milhões por empresa beneficiária, limitada a 20% da Receita Operacional Bruta (ROB) do último exercício fiscal. Para fins de cálculo desse limite de 20% é considerada a ROB individual da própria beneficiária, ainda que ela pertença a um grupo econômico.
O objetivo do programa é promover a competitividade das empresas brasileiras, em especial as micro, pequenas e médias, suprindo a escassez de crédito no mercado.
ATENÇÃO: O BNDES ACABA DE AUMENTAR O PRAZO PARA 36 MESES, INCLUINDO 12 MESES DE CARÊNCIA!
VEJA DETALHES EM http://www.bndes.gov.br/produtos/download/Circ016_09.pdf
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"Análise do Desempenho de Bancos no Brasil”, estudo publicado anualmente com cerca de 130 bancos, praticamente todo o sistema bancário brasileiro, são analisados de acordo com seus balanços publicados. Disponibiliza uma base de dados padronizada das contas dos balanços, segundo as normas do Banco Central, e uma série de indicadores de desempenho que são apresentados em tabelas e gráficos classificando os bancos conforme cada indicador, em duas versões: impresso e em CD-ROM. É apresentado em Português e Inglês em dois volumes: um com a base de dados com padronização do COSIF outro com a análise e um texto sobre a evolução do Sistema Bancário Brasileiro. Saiba mais...
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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