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Semana Finda em 16/maio/2008
EDMAI162008.DOC 
Editorial: A nova política de desenvolvimento industrial
O Presidente Lula lançou, no último dia 12, na sede do BNDES, a nova política de desenvolvimento industrial, a segunda tentativa de seu governo de fomentar esse setor. A primeira, de 2004, não resultou, na prática, em nada. Essa nova iniciativa tem quatro focos, que comentaremos a seguir.
1) Aumentar a taxa de investimentos fixos, hoje em 17,6% do PIB, para 21% em 2010. Investimento fixo significa todo dinheiro a ser gasto em bens “de raiz”, quer em empresas (máquinas, equipamentos, edificações) quer em infra-estrutura provida pelo governo (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, hospitais etc). Mas hoje a sua capacidade de investir é zero. Vejam só: em 2007 o governo federal arrecadou R$ 645 bilhões, mas gastou R$ 126 bilhões em pessoal, transferiu R$ 98 bilhões para estados e municípios, pagou R$ 85 bilhões de encargos da dívida pública e “torrou” um total de despesas de R$ 646 bilhões. Ou seja, ou o governo poupa algo de seus gastos ou o aumento do investimento fixo terá que ser feito pela iniciativa privada. Na medida em que ele aumenta a taxa de juro, ele próprio tem que pagar mais para carregar a dívida pública interna. Hoje ela está em R$ 1,2 trilhão ou 48% do PIB.
2) Fomentar a inovação tecnológica: o Brasil hoje tem uma enorme carência de profissionais técnicos, como engenheiros, tecnólogos, projetistas. Faltam engenheiros civis, navais, mecânicos, eletrônicos. Nós descuidamos de formar esses profissionais, que, há poucos anos atrás, podiam ser encontrados nas mesas do open market, nas tesourarias dos bancos e nos fundos de asset management. Vejam a tabela abaixo, que mostra que a Coréia forma 16 vezes mais engenheiros que o Brasil:

3) Aumentar a inserção internacional: o governo pretende aumentar a participação atual de 1,17% do Brasil para 1,5% em 2010. O quadro abaixo mostra os volumes mundiais e reflete bem como o Brasil é pequeno no comércio mundial:

4) Estimular as empresas exportadoras, especialmente as micros e pequenas empresas: esse ponto é um desejo do governo, mas tem muito a ver com a taxa do dólar. Em julho de 1994, quando o Plano Real foi lançado, a cotação da moeda americana era de R$ 1,00, hoje é de R$1,65, que corresponde a quarenta centavos de real no lançamento daquele plano. Essa excessiva valorização do real acabou com as exportações para as pequenas e médias empresas. E as micros? Sem nenhuma chance! Esse problema é quase insolúvel para o governo. Voltar para o câmbio fixo, será que o governo tem a coragem? Não creio.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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