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Editorial: A questão cambial brasileira
Muito tardiamente, o Ministro da Fazenda toma agora as primeiras providências para segurar a valorização do Real. Foi preciso que os saldos da balança comercial de março ficassem negativos pela primeira vez em muitos meses para que o Governo acordasse. A afirmação feita a cerca de dois meses atrás de que o saldo da balança de pagamentos poderia ser negativo em 2008 não moveu os burocratas de Brasília, tão pouco os alertas de nossas indústrias exportadoras, que estão sofrendo grave concorrência dos chineses: tecidos, calçados, brinquedos, máquinas. O Brasil só deixou de quebrar em 1998 devido ao socorro do FMI; deixou de quebrar em 2001 devido ao “susto” da eleição, que levou o dólar para R$ 3,95. E graças a isso, recuperamos nossos saldos positivos na balança comercial.
O gráfico abaixo, que a EFC já publicou diversas vezes, mostra que a taxa de conversão do início do Plano Real, do dia primeiro de julho de 1994, deveria ser de R$ 4,20 se apenas fosse corrigida pelo IGP – M, o índice de inflação da Fundação Getúlio Vargas, a FGV.

Portanto, o dólar hoje’, se acompanhasse a inflação do Plano Real deveria estar em R$ 4,20. Como está em R$ 1,68, isto significa, em termos de moeda do início do Plano Real apenas quarenta centavos. Perdeu portanto sessenta centavos de Real ou 60% de seu valor. A paridade de partida estava errada? Os melhores economistas do Brasil acham insuficientes as medidas agora adotadas.