EFC Engenheiros Financeiros & Consultores English Version
English Version
Você está em:  Editoriais  >  Crescimento do Crédito no Brasil
Editoriais 08/02/2008

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais. 

Semana Finda em 08/fevereiro/2008                              EDFEV082008.DOC Abrir/Imprimir em Word

 

 

Editorial: Crescimento do Crédito no Brasil

Para que o Brasil cresça a taxas mais elevadas – condição básica para erradicar a pobreza de vez – vários fatores precisam ser conseguidos simultaneamente: inflação baixa e controlada, saldos da balança comercial positivos e em níveis que permitam manter o balanço de pagamentos positivo, dívida externa em dia e interna se reduzindo, orçamento fiscal controlado, investimentos diretos em nível elevado, etc. Mas isso tudo não completa o ciclo se as empresas não tiverem acesso a fontes de crédito barato, a longo prazo e abundantes.

Nenhuma dessas três condições de crédito hoje se verifica: o crédito para empresas é caro, escasso e apenas a curto prazo, o que torna a vida de nossos diretores financeiros, especialmente das pequenas e médias empresas, um verdadeiro inferno.

O clássico desconto de duplicatas, a maneira mais acessível de obter capital de giro, não é fácil também e tão pouco é barato: companhias médias, sem problemas em seus cadastros, com boas duplicatas, conseguem descontá-las a 30% ao ano, taxa bem superior à rentabilidade média do capital dos acionistas. E é bastante freqüente encontrar empresas que descontam 100% de suas duplicatas!

Quando se olha o volume de crédito na parcela chamada “livre”, que é aquele empréstimo que os bancos fazem espontaneamente, e se compara com o produto interno bruto do Brasil, esse denominador não passa de 25%. A parcela do chamado crédito dirigido, que engloba o crédito imobiliário, o agrícola e as operações dos bancos oficiais, em especial do BNDES, essa porcentagem sobe para 34% do PIB. Mas isso é ainda muito pouco, basta se comparar com outros países em desenvolvimento: Chile, 70%, Coréia, 100%, Malásia 105%, Israel 90%.

Se fixássemos uma meta para o Brasil de atingir uma relação “credito/PIB” de 60% em 2012, ou seja, em 5 anos, o nosso estoque atual de operações de crédito, da ordem de R$ 800 bilhões, precisaria crescer a uma velocidade de 30% ao ano, de tal modo que, em 2012 atingiria cerca de R$ 3 trilhões, para um PIB projetado próximo de R$ 5 trilhões.

Condição básica para essa meta de crescimento de crédito ser atingida é a queda da taxa real de juro, não apenas a taxa prime brasileira, a chamada SELIC, mas sim a taxa efetiva de empréstimo para as empresas. Se isso for possível teremos um dos mais eficazes instrumentos para o crescimento do país, não apenas econômico, mas principalmente social. País rico com população pobre é fonte de injustiças e a sua riqueza econômica será efêmera e vazia!

O chamado “crédito consignado”, aquele tipo de empréstimo que é garantido por descontos automáticos nas folhas de pagamento, tem sido um “empurrador” das taxas de juros para baixo. Hoje com mais de12 milhões de tomadores que incluem funcionários públicos federais, estaduais e municipais, o crédito consignado como um novo referencial de taxa de juro para pessoas físicas, evidentemente para valores mais baixos. Não foi por outra razão que o produto “consignado”, iniciado pelos bancos médios com o Banco BMG, rapidamente chamou a atenção dos grandes bancos, tais como o Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, etc.

Esperamos que novas iniciativas forcem mais e mais a baixa das taxas de juro na ponta do tomador. Esperamos!

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2839; efc@efc.com.br; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

Meu status