Semana Finda em 26/junho/2009 EDJUN262009.DOC 
Editorial: Crédito Bancário - Cap. 1: Gerenciamento do Risco de Crédito
A EFC apresentará um estudo especial de revisão da literatura sobre Crédito Bancário, tema importante para o desenvolvimento do Brasil. Ele será publicado em capítulos.
Gerenciamento do Risco de Crédito: um resumo do livro “ManagingCredit Risk” de Caouette, Altmam e Narayanam, Editora Wiley 1998
1) A atividade bancária é muito antiga, bancos aparecem em Florença há 700 anos. Mas a atividade de dar crédito é muito mais antiga, pois está citada no Código Hammurabi, de 1800 anos antes de Cristo.
2) Ao dar crédito, um banco examina a chance de não receber o empréstimo; essa expectativa é o risco de seu crédito. As medidas dela nos dias de hoje não são muito diferentes das que os primeiros bancos utilizavam.
3) Tais medidas e metodologias para mensuração do risco eram muito baseadas no cliente; a idéia de avaliar o relacionamento entre o
banco e o cliente é hoje chamado de “know your client”, ou “conheça o seu cliente”.
4) Esse relacionamento tem sido, por muito tempo, o foco da maior atenção dos executivos dos bancos, muitas vezes mais do que a própria rentabilidade da operação ou os seus efeitos sobre a carteira total de crédito do banco.
5) O outro lado do gerenciamento do risco bancário, em contrapartida ao risco de crédito, é o risco de mercado, definido como a chance do valor de um investimento ou ativo do banco ter o seu preço alterado negativamente como resultado das forças de mercado.
6) Ao visitar uma mesa de operações da tesouraria de um banco, notamos que os conceitos e medidas do risco de mercado passaram por um enorme progresso tecnológico, se constituindo em uma verdadeira ciência, quer para o mercado de títulos, quer para ações e seus derivativos.
7) As mudanças nos critérios de medida do risco de crédito aconteceram nos anos noventa, principalmente porque as instituições financeiras especializadas em emprestar dinheiro chegaram a um estágio de maturidade no qual não mais desejavam reter os ativos de crédito até o final de suas maturidades.
8) Essa mudança de desejos derivou da vontade de trocar os riscos das operações de crédito por negócios com outras contrapartes, do tipo de securitizações de seus ativos.
9) Outro fator motivador dessa mudança veio da pressão das autoridades reguladoras, induzidas pelas observações da crise bancária da Ásia e de seus efeitos nessas economias, correlacionadas com os riscos de crédito.
10) Em função da crise asiática, incluindo ai o Japão, os bancos iniciaram um processo de aprimoramento de seus sistemas de gestão de crédito, quer na direção de uma nova cultura de crédito, quer na direção de maior disciplina do mercado.
11) Por consequência desses eventos, apareceram estruturas e produtos inovadores para gerenciar riscos de crédito, como transações financeiras estruturadas, por exemplo, coobrigações de hipotecas colaterais, “asset backed securitization”, bolsas e “clearing houses” para encontros entre ativos e passivos de instituições financeiras, operações de “netting”, derivativos de crédito visando reduzir os riscos dos ativos básicos (“underlying assets”), verdadeiros estratagemas para funcionarem como um seguro de crédito. Os bancos então, se quisessem, poderiam até ficarem vendidos em sua carteira de crédito.
12) Essas novas estruturas tiveram uma rápida evolução nos anos seguintes, de modo a criar decomposições em crédito como a moderna indústria de leite faz, ao separar seus componentes e gerar novos produtos: o leite básico separado em leite magro, creme de leite, leite com alto teor de gordura, etc. Ou seja, o risco de crédito é decomposto e “re-empacotado” com diferentes propriedades para diferentes investidores.
13) A criação de títulos lastreados em uma coletânea de ativos de crédito permitiu a separação de séries “sênior” e “subordinados”, de modo a diferenciar seus riscos e suas rentabilidades. Desta maneira, uma simples emissão pode gerar subclasses de títulos para atrair distintos investidores.
14) Essas novas estratégias tornam a área gerenciadora de riscos de crédito de puramente defensivas e estáticas, em ofensivas e dinâmicas, abrindo campo para gerar fundos para os bancos. Desta maneira, surgiram novos participantes ligados ao mercado de crédito: o originador, o vendedor de crédito, o “trustee”, o garantidor, o avaliador.
15) Cada uma dessas novas entidades tem novos aspectos de riscos ligados a crédito, que por sua vez precisam ser caracterizados, medidos, avaliados e regulados.
16) Com tal evolução, o risco de crédito do devedor principal migrou para outros segmentos financeiros, produzindo inclusive riscos de instituições inseridas na nova cadeia, bem como em muitos casos, riscos de mercado e mesmo riscos sistêmicos.
17) O crescimento exponencial do mercado de derivativos por tais razões acabou produzindo um risco global dos riscos de crédito, já que por uma razão ou outra, algumas das contrapartes podem simplesmente se recusar de honrar seus compromissos contratuais.
18) A análise tradicional de crédito em bancos repousa em dois pontos: 1, o desejo do tomador em pagar (ou não) o empréstimo; e 2, sua habilidade de, de fato, poder pagar. A primeira parte está ligada à investigação do caráter do tomador; a segunda parte procura examinar o tomador inserido nos aspectos macroeconômicos e microeconômicos, encarando sua posição e de seu negócio.
19) Os bancos também aprenderam sobre os procedimentos para se garantir de que recebam os pagamentos de crédito devidos, tais como “down payments”, uso de garantias colaterais que, se houvesse um “default” poderiam fazer uma grande falta ao tomador do empréstimo, como por exemplo, perder um de seus equipamentos ou um de seus terrenos para sua expansão empresarial.
20) A indústria bancária percebeu a importância de relacionar seus ativos de crédito com seus passivos de “funding” ao longo da escala de tempo; se seus depósitos são de curto prazo, é mais adequado que seus ativos de empréstimos também sejam.
21) A concorrência dos fundos mútuos hoje compete com os bancos na captação de recursos, fazendo com que os bancos tradicionais percam sua posição de captadores para os fundos.
22) A tomada de riscos de crédito é uma função fundamental dos bancos. É essa função que suporta o progresso econômico dos países, de suas empresas e pessoas.
23) As análises de crédito clássicas em bancos são o reflexo de julgamentos pessoais sobre a habilidade de um tomador pagar seus empréstimos. Elas dependem, acima de tudo, da habilidade de um adequado julgamento subjetivo do profissional de crédito. Essa pessoa se especializou durante sua carreira, ganhando autoridade na medida em que tenha ganhado experiência e demonstre habilidade de julgamento.
24) Na hierarquia de um banco, quanto mais sênior um “officer” for, maior será seu poder de decisão. Essa decisão, em um dado nível, é pessoal e não pode apenas se basear em técnicas analíticas. O analista sênior é valioso pelas seguintes razões:
a. Ele está alinhado com o que é possível ou não de ser feito na operação conforme o encontro dela com a tradição da instituição;
b. Ele é o gerador de regras aprovadas na prática (“rules of thumb”) em geral não publicadas mas via de regra confiáveis;
c. Os bancos confiam nos julgamentos de seus “officers seniors” em coisas tais como interpretar tendências da indústria, avaliar a estrutura financeira do tomador, elaborar garantias, etc.
(Continua...)
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O BNDES ACABA MELHORAR O PROGRAMA PARA ATENDER AS NECESSIDADES DE CAPITAL DE GIRO!
NO PROGRAMA ESPECIAL DE CRÉDITO (PEC), HOUVE AUMENTO DO PRAZO TOTAL DE 24 PARA 36 MESES. O TOMADOR PASSA A TER PERÍODO DE CARÊNCIA DE 12 MESES, E MAIS 24 MESES ADICIONAIS PARA AMORTIZAÇÃO. 20/02/2009

BNDES MELHORA CONDIÇÕES DE PROGRAMA DE CAPITAL DE GIRO – 29/01/2009
O BNDES ampliou os prazos de pagamento e amortização do Programa Especial de Crédito (PEC), que disponibiliza capital de giro para empresas, e as cooperativas agropecuárias também tiveram seu acesso a giro ampliado. O Banco também promoveu uma melhora expressiva nas condições oferecidas aos clientes do Cartão BNDES, com ampliação de prazos, limite e redução de juros.
Capital de giro - No Programa Especial de Crédito, houve aumento do prazo total de 24 para 36 meses. O tomador passa a ter período de carência de 12 meses, e mais 24 meses adicionais para amortização. Originalmente, as empresas que solicitassem os recursos do PEC tinham 5 meses de carência e no máximo 8 meses para amortização.
A vigência também foi prorrogada para 31 de dezembro de 2009. Na versão anterior, o programa, que tem dotação orçamentária de R$ 6 bilhões, vigoraria até 30 de junho. A linha de crédito tem valor máximo de R$ 50 milhões por empresa beneficiária, limitada a 20% da Receita Operacional Bruta (ROB) do último exercício fiscal. Para fins de cálculo desse limite de 20% é considerada a ROB individual da própria beneficiária, ainda que ela pertença a um grupo econômico.
O objetivo do programa é promover a competitividade das empresas brasileiras, em especial as micro, pequenas e médias, suprindo a escassez de crédito no mercado.
ATENÇÃO: O BNDES ACABA DE AUMENTAR O PRAZO PARA 36 MESES, INCLUINDO 12 MESES DE CARÊNCIA!
VEJA DETALHES EM http://www.bndes.gov.br/produtos/download/Circ016_09.pdf
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"Análise do Desempenho de Bancos no Brasil”, estudo publicado anualmente com cerca de 130 bancos, praticamente todo o sistema bancário brasileiro, são analisados de acordo com seus balanços publicados. Disponibiliza uma base de dados padronizada das contas dos balanços, segundo as normas do Banco Central, e uma série de indicadores de desempenho que são apresentados em tabelas e gráficos classificando os bancos conforme cada indicador, em duas versões: impresso e em CD-ROM. É apresentado em Português e Inglês em dois volumes: um com a base de dados com padronização do COSIF outro com a análise e um texto sobre a evolução do Sistema Bancário Brasileiro. Saiba mais...
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