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Editoriais 04/05/2001

A EFC tradicionalmente, uma vez por ano, publica um estudo sobre Corretora de Valores, logo após publicar os estudos sobre bancos, também anuais.

Dessa vez, nossa amostra conta com 60 nomes, os quais estão mostrados na Tabela anexa, ordenados de maneira decrescente pelos valores dos ativos totais relativos a 31/12/2000.

Existem vários tipos de corretoras financeiras no Brasil. A clássica é a corretora de títulos e valores mobiliários, que negocia ações nas bolsas. Hoje a principal bolsa brasileira é a BOVESPA, de São Paulo, que possui cerca de 80 corretoras. Para operar na BOVESPA é preciso adquirir um título patrimonial cujo preço hoje é de alguns milhões de reais.

O segundo tipo de corretora financeira é, no Brasil, designada como corretora de mercadorias; elas atuam na BM&F, a principal bolsa de derivativos e commodities do hemisfério sul. Elas também precisam ser "membros efetivos" da BM&F, o que eqüivale a serem sócios. A BM&F possui cerca de 160 corretoras de mercadorias. Na prática elas, do ponto de vista jurídico, podem ser um banco, uma corretora de valores, uma distribuidora de valores (DTVM) ou uma corretora exclusiva de mercadorias (por exemplo, dedicada a negociar café, soja, açúcar).

As Corretoras de Valores representadas no quadro anexo são de dois tipos principais: as que pertencem aos conglomerados financeiros, como as do BANESPA, do ITAÚ e do BRADESCO e as chamadas "independentes", tais como a Socopa, Novação, Spinelli, Magliano, Theca, Isoldi, etc.

As independentes já foram, na origem das bolsas, as únicas corretoras. Aliás, no início do Século XX, o que existia era o "corretor", isto é, pessoas físicas que atuavam na compra e venda de títulos e valores mobiliários. Essa modalidade de corretora independente infelizmente no Brasil tende para a extinção, pressionada pelos grandes conglomerados financeiros.

Do quadro anexo deduzimos que: (1), os ativos totais encolheram no ano 2000 em relação a 1999 (os volumes da BOVESPA estão caindo); (2), apesar disso, as corretoras se capitalizaram em 11% (provavelmente devido ao crescimento patrimonial das grandes corretoras); (3), o lucro líquido agregado da amostra caiu em 12% (de 100% em 1999 para 78% em 2000) como conseqüência da redução dos ativos e do mesmo volume transacionado; (4), por decorrência a rentabilidade patrimonial (média ponderada) da amostra baixou de 17,77% para 12,44%, uma queda de 30%; (5), das 60 corretoras listadas, apenas seis (10% delas) apresentaram prejuízo em 1999, das quais quatro eram independentes; em 2000, 14 corretoras apresentaram prejuízo (27% delas); dessas 14, 10 são independentes.

Ao mesmo tempo, das 60 corretoras listadas, 7 delas no ano de 2000 apresentaram lucro superior a 30% do patrimônio líquido de 31/12, ou seja, exibiram excelente rentabilidade. Dessas 6, destacam-se a Corretora Bradesco (40,23% de rentabilidade), Merril Lynch (30,41%), Safra (42,77%), todas de conglomerados; das independentes, destacam-se a Safic, com (64,49%), provando que uma independente criativa pode ser muito rentável.

O ciclo de vida do mercado de capitais brasileiro - e por consequência das corretoras de valores, especialmente as independentes - está se apertando. Nós, brasileiros, que precisamos muito de um mercado de capitais forte que tenha mecanismos sadios para suprir capital para as empresas (especialmente as de médio porte) não conseguimos, em mais de cem anos de existência desse segmento, construir um mercado de capitais que fosse pujante, transparente e aberto.

O Brasil tem um mercado financeiro (de crédito, bancário, de poupança, etc.) muito sofisticado e forte, totalmente organizado, com altíssimo nível de tecnologia envolvendo computadores, satélites, redes de transmissão. Mas quando olhamos essa dimensão financeira e a comparamos com a dimensão do mercado de capitais, vemos um aleijado, com duas pernas, uma forte e musculosa, a outra atrofiada e paralítica. Que pena!  Onde estão nossos pensadores, nossos estrategistas, nossos visionários de longo prazo? Quais as mudanças seriam possíveis de serem feitas para fortalecer a outra perna?  Temos um plano articulado para isso?  O Governo se preocupa com esse fato?  Teria que se preocupar?  Não tenho respostas, infelizmente e portanto estou dividindo as minhas inquietudes com o leitor. Claro, que as queira ler.

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2839; efc@efc.com.br; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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