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Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Editorial: As corretoras de valores
Carlos Daniel Coradi
Nós acompanhamos o tema de corretoras de valores no Brasil exatamente desde 1978, ou seja, há exatamente 33 anos. No início, tivemos a tarefa de desenhar, a partir do zero, uma nova corretora, após ter o grupo empresarial no qual trabalhei adquirido um título patrimonial na Bovespa, que custou em leilão cerca de 400 mil dólares.
O projeto da nova instituição, o seu trâmite perante o Banco Central do Brasil e a preparação de uma equipe “de partida” tomou dois anos; seu início ocorreu em janeiro de 1980, um ano estranho do ponto de vista econômico.
Recapitulando um pouco da história da chamada “década perdida”, a dos anos 80, os seus fundamentos começam nos anos 70, com as duas crises do petróleo, em pleno regime militar; em março de 1979 assume a presidência do Brasil o general Figueiredo, o quinto presidente militar após o golpe de 1964; ele nomeia Mário Henrique Simonsen para seu ministro do Planejamento, mas as pressões para que o Brasil voltasse ao chamado milagre brasileiro faz com que ele fosse substituído por Antônio Delfim Netto. Delfim, observando a inflação de 1979 em quase 80%, congela o câmbio e a correção monetária. Que em seguida fracassa, obrigando-o a adotar uma forte maxi desvalorização.
É nesse contexto que a nova corretora inicia sua atuação, logo apanhada pelo fracasso da prefixação dos juros e por conta desse fato, pela enorme volatilidade dos preços dos títulos públicos, especialmente das letras do tesouro nacional, LTN’s. Apesar dessas dificuldades, a montagem de uma equipe técnica de jovens engenheiros e graduados da FGV asseguraram nos primeiros anos da corretora um brilhante desempenho, obtendo retornos acima de 40% ao ano sobre o capital investido.
Das noventa corretoras de valores existentes nos anos 80, a grande maioria era constituída pelas chamadas “independentes”, ou seja, as que não pertenciam a conglomerados financeiros. Nomes extremamente conceituados da época, como Magliano, Spinelli, Isoldi, Indusval e tantos outros representavam a maioria quantitativa na Bovespa. Foram esses os donos das independentes que mais tarde fundaram a Bolsa de Mercadorias e Futuros, a BM&F, que recentemente se fundiu com a Bovespa, formando uma das maiores bolsas do mundo.
O quadro hoje se inverteu: o mercado das corretoras de valores é dominado pelos conglomerados financeiros, que ficam com grande parte do volume e obtém altas rentabilidades.
A EFC, minha consultoria, seguindo essa razão histórica, monta todos os anos desde sua abertura em 1992 um estudo sobre as corretoras. O quadro abaixo representa um resumo do mais recente desses trabalhos, com uma amostra de 45 corretoras, separadas em dois grupos, o das independentes e o das pertencentes a conglomerados.

As corretoras de conglomerados responderam em 2010 por R$ 16,1 bilhões de ativos contra R$ 1,6 bilhão das Independentes; as primeiras cresceram 40% entre 2009 e 2010, contra apenas 1% das independentes; a rentabilidade das corretoras de conglomerados ficou entre 16% e 18% em 2009 e 2010 contra 4% e 9,5% das independentes. Os fenômenos de concentração e da reestruturação do setor de bancos ocorrem também fortemente com as corretoras de valores. Qual o futuro das independentes? Absorvidas? Vendidas? Ou simplesmente fechadas? Teriam um nicho para explorar? Estas questões ficam para uma próxima oportunidade.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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