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Editoriais 11/07/2003

A técnica do Balanced Score Card (BSC), surgiu nos Estados Unidos nos anos 90, país no qual praticamente todas as novidades de ferramentas gerenciais são produzidas.

Esse fenômeno de busca de metodologias sobre como administrar adequadamente as empresas é uma das grandes alavancas responsáveis pelo progresso dos Estados Unidos e começou no século XIX, há cerca de 150 anos atrás, com Frederick W. Taylor, pai da administração científica do trabalho.

O grande desenvolvimento posterior foi fruto do intenso trabalho das universidades de management americanas e dos milhares de pesquisadores que se dedicaram a aprimorar os métodos de gestão. Os americanos são líderes nesse desenvolvimento, muito a frente de qualquer outro país.

Os países em desenvolvimento que tiveram sucesso estão adotando esse mesmo rumo: é o caso da Índia, Coréia, dos demais tigres asiáticos, e de certa maneira, do Brasil. Mas foi também o caso do Japão, que, destruído pela segunda grande guerra mundial, hoje é a maior potência econômica depois dos Estados Unidos.

O Japão, que sem o "modern management" não teria chegado onde está, fez dele uma aculturação curiosa, consistente com suas tradições milenares. E os japoneses passaram também pelo marketing americano, onde aprenderam primeiramente "copiar" os produtos líderes de mercado, depois a melhorá-los e depois a desenvolver novos produtos que o mercado mundial gostaria de ter. Fizeram isso com as motocicletas inglesas, com os relógios suíços, com as máquinas de fotografia alemãs e com os carros americanos.

Voltando ao tema desse artigo, o que é mesmo o Balanced Score Card? É uma técnica que surgiu a partir de alguns artigos escritos na famosa revista de administração da Harvard Business School, por volta de 1993, artigos nos quais os Professores Robert Kaplan e David Norton discorriam teoricamente sobre um critério de medir a eficiência das empresas.

Esse critério foi construído sob quatro enfoques distintos: o da perspectiva financeira da empresa, o da perspectiva focada nos clientes, o da perspectiva voltada para os objetivos e processos internos e o da perspectiva ligada ao fator humano, com realce para as questões de aprendizado e crescimento.

O modelo teórico de Kaplan e Norton resultou num famoso livro, "A Estratégia em Ação" (tradução da Editora Campus) editado em 1997, um sucesso editorial que despertou a atenção das grandes empresas americanas, diversas das quais quiseram experimentar o método. Por conta do envolvimento dessas grandes companhias, os conceitos saíram da teoria e foram para a prática.

Um detalhe importante, que foi o de fixação de metas à serem atingidas pela empresa em três anos, foi bem escolhido porque prazos maiores seriam horizontes muito longos e prazos muito curtos, por exemplo de um ou dois anos, seriam insuficientes para obtenção de resultados concretos. Dessa maneira, a abordagem teórica ganhou dimensões práticas, possibilitando seu emprego pelas corporações americanas que quiseram experimentar o novo método gerencial.

O enfoque desse artigo é saber se esse modelo americano, tal como aplicado pelas grandes corporações, serve para a média empresa brasileira. Do jeito que tem sido aplicado até agora, acho que não, pelo menos na versão que as consultorias mundiais oferecem, visto que se trata de um processo muito caro e muito sofisticado para ser implantado, que envolve todo um projeto de acompanhamento computacional e softwares bastante elaborados, projeto esse que portanto necessita um alto investimento.

O que poderia ser então o BSC brasileiro? Na minha opinião, pode-se perfeitamente simplificar o processo de montagem do Balanced Score Card, de maneira a possibilitar a sua utilização pelos empresários brasileiros que possuem uma empresa de tamanho médio e que queiram usar esse ferramental para profissionalizar a gestão de sua empresa e fazê-la crescer, minimizando os riscos inerentes ao crescimento.

Tudo começa por uma forte crença do dono da empresa, de seu presidente, de sua diretoria, de que é preciso aperfeiçoar os processos gerais de gestão da companhia. Sem essa crença, é inútil tentar usar ferramentas mais elaboradas, pois apenas irão consumir dinheiro sem produzir resultado.

Havendo tal crença, o segundo passo é entender o que vem a ser o Balanced Score Card a nível de detalhe e se convencer de que essa particular ferramenta, se adaptada para as condições da média empresa brasileira, poderá ter uma grande utilidade. Sem essa segunda convicção é inútil começar o projeto, ele vai ficar abandonado pelo caminho ou vai ficar com pouca possibilidade de sucesso.

Existindo esses dois fatores, a crença na ferramenta e a convicção de se ter entendido os detalhes, o terceiro passo é montar um sequenciamento de implementação. Nessa altura, é recomendável um processo de coaching, expressão americana utilizada para oferecer orientação na implantação de projetos. Ele implica em fazer com que as ações da empresa sejam tomadas por ela própria, pelo seu grupo de executivos, pelos seus altos dirigentes, pelo seu escalão de média gerência. Esse critério de "por a mão na massa" tem muito a ver com motivação, participação, aperfeiçoamento do clima organizacional para torná-lo adequado ao BSC. E existindo esse clima de maneira positiva, isso já se torna um ponto de referência para o sucesso do BSC.

Daqui para a frente as etapas serão trabalhosas mas conceitualmente simples e implicam nos seguintes passos: (1) fixar objetivos para três anos nos quatro tópicos do BSC; (2) estabelecer um grupo de parâmetros de controle para cada um dos tópicos do BSC; (3) criar um critério de medida contínua desses parâmetros; (4) estabelecer os processos de medida e designar responsáveis; (5) começar e gerenciar o processo, monitorando-o e corrigindo eventuais desvios.

A medida dos objetivos de eficácia empresarial é uma coisa muito antiga; o BSC brasileiro, em verdade, é uma roupagem nova que poderá produzir um grande progresso na empresa de médio porte desse sofrido empresário brasileiro, preparando-o para o crescimento e para a consolidação de seu sucesso. Acredito que sua utilização dará músculos e cérebro para a empresa e para seus principais executivos e por isso mesmo acho que vale a pena tentar.

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.