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Editoriais 24/09/1999

Seguindo os passos dos Estados Unidos, que em 1992 publicou um manual sobre a estrutura de montagem de controles internos para grandes empresas  , o Canadá edita, em novembro de 1995, o seu equivalente, designado "Guidance on Control". A autoria desse documento é do "The Canadian Institute of Chartered Accountants (CICA) e especifica o que é a função de controle, sugerindo vinte atributos para  montagem para um adequado sistema de controles de uma empresa. Esse critério ficou conhecido como CoCo, abreviatura de "Criteria of Control". O acesso ao Instituto canadense pode ser feito pela Intenet no Web Site: www.cica.ca.

Esse editorial pretende resumir o critério  CoCo canadense. O americano COSO  cobre 75% das aplicações mundiais de sistemas de controle mas a influência canadense está crescendo, por ser esse critério mais abrangente do que o americano.

O critério do CoCo define controle  como  "aqueles elementos de uma organização (incluindo seus recursos, sistemas, processos, cultura, estrutura e tarefas) que, considerados em conjunto, apóiam as pessoas na obtenção dos objetivos da organização". Portanto, avaliar um sistema de controles de uma empresa é equivalente a avaliar como a organização está sendo gerenciada.

O foco do critério CoCo se concentra na alta administração. A sua segunda publicação, (dezembro de 1995) feita  logo em seguida a primeira, enfoca a alta direção: "Guidance for Directors - Governance processes for control" que descreve o que os diretores de uma organização devem fazer para preencher adequadamente suas responsabilidades, falando de controles gerenciais efetivos. 

O interesse dos diretores de uma empresa por sistemas de controles eficazes advém de duas fontes, a pressão dos acionistas por melhores desempenhos e as responsabilidades legais crescentes que pairam sobre os diretores, tornando-os culpados de não cumprir as leis e sujeitando-os a penas cada vez mais duras.  Exatamente por essas razões é que a Bolsa de Valores de Toronto  solicitou em 1994 que o Canadian Institute of Chartered Accountants desenvolvesse o arcabouço genérico para montagem de controles internos, o qual se compõe de quatro blocos de características e vinte critérios de controle, resumidos abaixo:

 

BLOCO A: PROPÓSITOS - critério que gera um sentido de direção da organização

BLOCO C: CAPACITAÇÃO – critério que gera um sentido de competência da organização

A1

Estabelecer objetivos e  comunicar

C1

As pessoas devem ter o conhecimento e habilidades necessárias

A2

Identificar e avaliar riscos internos/externos relevantes face a objetivos

C2

Os processos de comunicação devem suportar valores e objetivos

A3

Estabelecer/comunicar políticas sobre objetivos/gerenciamento de riscos

C3

As informações relevantes devem ser comunicadas adequadamente

A4

Estabelecer/comunicar planos incluindo metas de desempenho/medidas

C4

Decisões e ações devem ser adequadamente coordenadas

A5

Objetivos e planos devem ter metas, medidas e indicadores

C5

Atividades de controle são parte integral da organização

BLOCO B: COMPROMETIMENTO – critério que gera os sentidos da identidade e valores da organização

BLOCO D: MONITORAMENTO E APRENDIZAGEM – critério que gera um sentido da evolução da organização

B1

Estabelecer e comunicar valores éticos, inclusive integridade

D1

Os ambientes externos e internos devem ser monitorados

B2

Criar e praticar políticas de RH consistentes com a ética e objetivos

D2

O desempenho deve ser monitorado contra os objetivos e metas

B3

Definir autoridade, responsabilidade e comprometimento com objetivos

D3

Rever  premissas dos objetivos continuamente como desafio

B4

Criar mútua confiança rumo aos objetivos e desempenho dos objetivos

D4

Sistemas de informação devem levar em conta deficiências/ mudanças

 

D5

Procedimentos de followup devem ser rotineiros

 

D6

A Direção deve avaliar periodicamente o sistema de controles e comunicar os resultados a quem deve melhora-los


Em próximo editorial abordaremos as diferenças desses dois "framework" para sistemas de controles internos.

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.