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Editorial: A questão do petróleo no mundo
Carlos Daniel Coradi
Não há dúvida de que o petróleo é uma riqueza finita, embora as descobertas de novas jazidas prossigam continuamente. Tem-se falado muito sobre o potencial do Brasil em termos de suas reservas. Os fatos, contudo, mostram um bom cenário, mas não tão excepcional. Vejamos alguns números, embora defasados de três anos, mas fornecidos por entidades internacionais de grande reputação. Para essa análise, examinemos os aspectos das reservas mundiais, do pré sal, do consumo mundial, dos desequilíbrios dos maiores consumidores e da questão do preço do barril.
1) Reservas mundiais, quadro 1:

Pelos dados da Central Intelligence Agency (USA), mostrados no quadro 1, o Brasil está em décimo quinto lugar em reservas provadas, com 12,62 bilhões de barris, reservas essas que para o consumo atual de 2,5 milhões bd, dariam para 13,8 anos. Contudo, precisamos levar em conta as descobertas do pré sal.
2) O Pré-sal:
Os números das descobertas da Petrobrás relacionadas com as reservas das camadas profundas, batizadas com o nome de pré sal (isto é, localizadas abaixo da camada geológica com esse nome) são muito variados, indo desde as estimativas feitas pelo Banco Credit Suisse - algo entre 30 e 50 bilhões de barris[1] - até estimativas superiores a 300 bilhões de barris. Por ora, a grande parte dessas reservas não está provada e portanto não entra nas estatísticas. Contudo, se considerarmos 50 bilhões de barris - uma enormidade - ainda assim somaríamos 62,62 bilhões de barris, ficando em oitavo lugar, mas certamente depois de investimentos superiores a US$ 300 bilhões e pelo menos dez anos de trabalho duro. Ou seja, essas reservas são, por ora, um belíssimo sonho. É totalmente verdade de que o Brasil é o país que mais domina a tecnologia de águas profundas. Mas também é verdade de produzimos pouquíssimos equipamentos, ferramentas, plataformas, software e hardware para essa gigantesca etapa. Tudo, ou melhor, dizendo, quase tudo desses itens vêem dos Estados Unidos (e em pequena parte da Europa) que possui o maior parque tecnológico do mundo. Há 30 anos o Brasil começou a desenvolver um embrião de um parque industrial petrolífero, mas abandonou tudo. A então belíssima fábrica da “Equipamentos Villares” em São Bernardo do Campo, que fabricava desde válvulas de controle da pressão de poços no fundo do mar (“blow out pressure valves”) até motores marítimos para navios foi demolida e hoje na área se vê um grande supermercado. O Brasil nunca teve uma firme política industrial de longo prazo neste setor (e nem nos demais) em fragrante contraste com países como a China e a Coréia do Sul. Se salva a Petrobrás, mas esse papel não lhe compete.
3) Consumo mundial, quadro 2:

Como se vê do quadro acima, o consumo de petróleo é fortemente concentrado em poucos países, encabeçado pelos Estados Unidos. Os dez maiores consumidores, Brasil incluído na lista, respondem por quase 60% do total. E esse fato tem sido um grande motivo das guerras das últimas décadas envolvendo o oriente médio. A dependência de alguns países poderosos do petróleo é muito grande.
4) Desequilíbrio entre consumo e produção:
Os maiores produtores de petróleo consomem pouco. A Arábia Saudita, o maior produtor, com 20% das reservas mundiais, consome menos do que o Brasil. Em campo oposto, os Estados Unidos, país com o maior consumo, quase 20 milhões de barris por dia, produz apenas 8,5 mm bd. Seu déficit é mais de 50% do que consome. No total, os nove países com maiores déficits possuem uma falta de 31 milhões de barris por dia, dado que mostra sua alta dependência do ouro negro. Muitas das guerras e escaramuças do oriente médio têm como base econômica esse fato fundamental. Contudo, um gigante mundial, a Rússia, não possui déficit e sim um forte superávit.

5) A questão do preço do petróleo:
O preço do petróleo está sujeito a forças econômicas, tipo “procura e oferta”, mas também a forças políticas, tais como as guerras no mundo e muito especialmente no oriente médio. Há adicionalmente o efeito “OPEP”, pois essa organização dos maiores produtores do mundo regula fortemente os preços, não permitindo que a produção ultrapasse o consumo. A OPEP é literalmente um cartel, ou seja, um mecanismo de controle de preços e produção. Foi criada em 1960, mas se tornou mais ativa em 1967, ano da guerra do Guerra do Yom Kippur.
O gráfico seguinte[2] mostra os principais eventos que tiraram o preço do petróleo da faixa de dois dólares e o levaram a US$ 147 o barril: a crise de Suez, o embargo causado pela guerra do Yom Kippur, a revolução iraniana, a guerra do Irã - Iraque, a guerra do golfo, a crise financeira da Ásia, os eventos de 11/09/2001, a guerra no Iraque, a recessão de 2008, a crise da Líbia. E então, o preço do petróleo no dia 11 de Julho de 2008 bateu o recorde de US$147,27 na cotação diária[3].

O gráfico abaixo mostra a evolução dos preços médios anuais em moeda corrente e uma projeção estatística elaborada pela EFC, mostrando um preço médio em 2030 de US$ 120 o barril, número que corrigido por uma inflação anual de 3% resultaria em um preço de U$ 216 o barril em 2030. Não há dúvida estatística de que o preço continuará subindo, a dúvida é quanto.

Vão passar muitos anos até que fontes alternativas de energia reduzam significativamente a importância do petróleo, se é que isso irá acontecer. O Brasil, com o projeto do Proálcool (abandonado pelo governo várias vezes) e com as perspectivas do pré sal tem dois elementos fundamentais para se sair bem nesse imbróglio mundial. Aguardemos! [1] Fonte, http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/pre-sal/pre-sal-3.php: “No momento, há uma enorme especulação sobre quantos barris de petróleo pode conter o pré-sal. uma estimativa não-ufanista feita pelo Credit Suisse, fala em algo entre 30 e 50 bilhões de barris - o que já aumentaria em cerca de quatro vezes as reservas provadas brasileiras, que contavam com 12,1 bilhões de barris em janeiro deste ano. Mas os números podem ser ainda maiores. Alguns acreditam que o pré-sal poderia esconder no mínimo 100 bilhões de barris - o que colocaria o Brasil em 6º lugar entre as maiores reservas de petróleo do mundo. Já outros, como um ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo, Newton Monteiro, chegam a afirmar que o pré-sal pode guardar 338 bilhões de barris, o que faria do Brasil o maior detentor de reservas provadas do mundo, superando de longe a Arábia Saudita - hoje com 264 bilhões de barris” [2] Fonte: WTRG Economics
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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