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Editorial: Efeitos da crise européia sobre o Brasil
Havíamos acabado de sair (acabamos mesmo?) dos efeitos catastróficos do episódio detonado pela quebra do Lehman Bank e já começamos a sofrer as conseqüências da crise européia, cujo estopim foi a Grécia e sua inconseqüente gastança. De fato, o exame cuidadoso dos dados da economia brasileira indica que os efeitos adversos do primeiro ciclo iniciado em setembro de 2008 não terminaram. A dívida pública cresceu, a inflação subiu, a balança comercial perdeu todo o seu dinamismo de cinco anos anteriores, o balanço de contas correntes já acumula um déficit gigantesco, perdemos grande parte de nossa competitividade de exportações industriais, fomos invadidos por produtos chineses de qualidade duvidosa. De fato, não acabamos mesmo de sair da primeira crise (chamemo-la assim) e já estamos entrando na segunda. E a nosso ver, o ufanismo da campanha política está nos cegando, com conseqüências desastrosas, porque nos afasta da realidade.
O editorial de 17 de maio do Estado de São Paulo traz comentários sérios sobre o relatório do FMI com respeito aos efeitos de longo prazo da atual crise européia, mostrando que serão necessários vinte ou trinta anos para que os ajustes dos países europeus possam se efetuar de modo completo. A ter razão o Fundo Monetário Internacional, e parece que tem, a Europa toda estará (está?) entrando em uma fase de contração das economias de seus principais países, inclusive a Alemanha, o melhor deles. Sequer escapam a França e a Inglaterra, a reboque dos que estão piores, Grécia, Portugal, Espanha, Itália, Irlanda. Antes desse segundo evento, já sabíamos que a chamada locomotiva do mundo, responsável (então) por 45% das compras globais, está com sua economia doente, com um gigantesco déficit fiscal, com uma balança comercial enegrecida por contínuos e gigantescos saldos negativos. Esse fato agrava a segunda crise nesses três anos turbulentos. Que deve se alongar por muito tempo.
A China, que está assumindo o papel de segunda locomotiva mundial, por sua vez, depende dos mercados europeus e americanos, seus grandes compradores. Os produtos chineses, (seguidos pelos asiáticos de um modo geral), função da moeda desvalorizada propositadamente, invadiram o mundo todo, Brasil inclusive, corroendo a competitividade das indústrias do lado de cá. O mesmo fenômeno que ocorreu há quarenta anos com os produtos japoneses: inicialmente preços muito baixos e qualidade sofrível; em seguida, preços baixos e qualidade razoável; finalmente preços ainda baixos e boa qualidade.
Aqui no Brasil, importantes indústrias estão parando de fabricar e passaram a importar seus produtos da China, com seus nomes estampados, vendendo para o mercado interno com margens maiores do que as que tinham quando fabricavam. Absurdo causado por esse câmbio FALSO do Real. O Governo não está nem ai, a espera que o chamado câmbio flutuante gere uma auto regulação. Há algo de muito errado nesse conceito, visto que as flutuações para baixo do dólar ficam a mercê da entrada enorme de divisas especulativas, montadas na bolsa de valores e na renda fixa brasileira! Quais as propostas dos candidatos à presidência para esse quadro geral?
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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