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Editoriais 24/10/2008

 
EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.

Semana Finda em 24/outubro/2008              EDOUT242008.DOC Abrir/Imprimir em Word

Editorial: Avaliação da crise: efeitos sobre a América Latina

Essa é a maior crise econômica que vi em meus 46 anos de carreira profissional. Não sei avaliar se ela é maior ou não do que a de 1929, mas saberemos dentro de alguns anos. Verdade de que o ferramental hoje disponível, graças à tecnologia, satélites, internet, facilita muito a reação, mas apesar desse monumental aparato científico, não se diagnosticou em tempo o furacão que se aproximava. Nem nos Estados Unidos, nem no resto do mundo. Agora o liberalismo selvagem está no purgatório e as teorias de John Kenneth Galbraith voltam para ajudar, com o crescimento do intervencionismo.

Nós temos acompanhado essa evolução de perto: no número do dia 10/10 passado do “Opinião” (vide http://www.efc.com.br/editoriais/ACOES/37anosIbovespa.htm ) mostramos a extraordinária queda do índice Bovespa; mas do dia 10 até o dia 24/10/08 o índice mergulhou para 31.481 pontos, que equivale ao pico do Plano Cruzado, nível alcançado em abril de 1986, ou ainda uma queda de 59% do pico de 76.315, alcançado em maio de 2008. O quadro abaixo mostra o “estrago” nas avaliações dos indicadores de riscos dos países da América Latina:

Em 26 de setembro de 2007 o risco Brasil estava em 168 pontos; isto significava que o dinheiro externo custaria para o Governo brasileiro ou para empresas de risco zero no Brasil o custo “prime” nos Estados Unidos mais 1,68% ao ano; agora (24/10/08) esse mesmo dinheiro custará 646 pontos básicos acima do custo “prime” dos Estados Unidos, ou seja, 6,46% a mais; houve, portanto, um encarecimento devido à crise (provocada pelos Estados Unidos) de 4,78% ao ano.

Esse efeito de encarecimento não leva em conta que os mercados internacionais de dinheiro estão praticamente fechados para novos negócios. Na América Latina, os casos mais sérios são o da Venezuela, 1.729 pontos básicos, da Argentina, 1.832 pontos e do Equador, 3.161 pontos básicos.

O índice criado pelo JP Morgan, o “Emerging Markets Bond Index Plus (EMBI+)” acompanha o retorno total para os instrumentos da dívida externa de cada país que negociou sua dívida externa no Plano “Brady”, trocando-a pelos títulos desse plano. Os países foram Argentina, Brasil, Bulgária, Costa Rica, República Dominicana, Equador, México, Marrocos, Nigéria, Filipinas, Polônia e Uruguai.

A Organização Econômica da Comunidade Européia (OECD) também faz sua própria avaliação de risco dos países, sendo a nota 7 o pior nível (Cuba, Bolívia, Síria) e a melhor nota o zero. Os dois índices têm uma boa correlação e, portanto, podem ser entendidos como equivalentes embora totalmente diferentes em seus conceitos. Curiosamente, os Estados Unidos, que causaram essa enorme, gigantesca e imprevisível crise, é considerado um país de risco zero. Pode ser?           

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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