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Semana Finda em 24/agosto/2007
Editorial: Investimentos e a crise imobiliária nos Estados Unidos EDAGO242007.DOC 
Os investidores do mundo todo estão sendo abalados pela crise do mercado imobiliário nos Estados Unidos, mas muitos deles se perguntam por que um problema localizado como esse os atinge, estando distantes, por exemplo no Japão ou no Brasil.
Mais do que nunca, os tempos são globalizados, e os modernos sistemas de comunicação, e em especial a internet, aproxima as distâncias, tornando todos os países parceiros da crise, especialmente se ela ocorre nos Estados Unidos, onde está o centro do mercado financeiro mundial.
A liquidez global nunca esteve tão alta e por essa razão, os capitais de curto prazo e voláteis buscam os melhores rendimentos onde estiverem, e isso os leva especialmente para os países emergentes, onde as taxas de juro pagas pelos seus mercados financeiros são as mais altas.
Nos Estados Unidos, país de altos níveis de consumo e de pouca poupança ao nível das famílias, os fundos de investimento buscaram taxas maiores nas hipotecas imobiliárias, especialmente nas do mercado chamado de “sub prime”, isto é, nas hipotecas que pagam juros maiores devido a qualidade mais baixa de seus credores, certamente os mais endividados.
Esses credores, por sua vez, compraram imóveis residenciais caros, assinando hipotecas de longo prazo, as quais, negociadas no mercado secundário, acabam formando “lastros” de fundos de securitização mais rentáveis, a exemplo de nossos FIDC’s, os brasileiros “fundos de investimento de direitos creditórios”. A rentabilidade maior sempre se associa aos riscos igualmente maiores.
O ciclo de fartura, contudo, encontra um gatilho para inverter o processo: se a oferta de imóveis novos cresce e ao mesmo tempo a procura por eles se reduz, os preços dos imóveis caem; e ao caírem, caem também os preços dos imóveis hipotecados; com a queda desses últimos, o valor das hipotecas no mercado secundário se reduz, e como são lastros de fundos imobiliários, as cotas desses fundos “voltam para trás”; na medida em que essa reversão se aprofunda, atinge grandes bancos, inclusive não americanos, como o caso do BNP Paribas, um dos maiores bancos do mundo que possui fundos imobiliários nos Estados Unidos. Portanto, o fenômeno se espalha para a Europa. E também para o Japão, já que os japoneses são grandes investidores dos fundos americanos.
Em seguida, as bolsas de valores de todo o mundo, sensíveis às perturbações que se irradiam, se retraem e as cotações das ações, que vinham em uma longa alta, revertem as suas tendências e literalmente “despencam”. Há, pois, um efeito do tipo “bola de neve", que leva os bancos centrais a injetarem bilhões de dólares, euros e yens para “segurar a barra”. Evidentemente, a crise também atinge o Brasil, que hoje felizmente possui uma posição de reservas que lhe deixa muito mais confortável do que em crises anteriores, como as do México, da Ásia e da Rússia. Mas não imune a algum tipo de efeito negativo, que por exemplo, já afetou nossa Bovespa, com um recuo de cerca de 5 mil pontos, quase 10% em um mês.Nós havíamos dito, no início do ano em entrevista para o jornalista Heródoto Barbeiro, que o Índice da Bovespa poderia atingir sessenta mil pontos até o final do ano; chegou próximo: em 19/7/2007, 58.124 pontos. Mas caiu em 20/8/2007 para 49.206 pontos, uma queda de 15,3%. Portanto, a crise chegou aqui também. Até onde vai, ninguém está prevendo. Esperemos que passe logo!
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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