Editorial: Desdobramentos da crise nos Estados Unidos
O desemprego nos Estados Unidos avança célere. E como eles são a locomotiva do mundo, os reflexos se espalham pelos quatro cantos do globo, em verdadeiras ondas de choque. A Rede de notícias CNN acaba de dizer que os Estados Unidos perderam em 2008 1,9 milhões de empregos, dos quais apenas em novembro foram perdidos 533 mil. A previsão para 2009 é pior ainda, com uma perspectiva de perda de
3 a 4 milhões de empregos.
Evidentemente, com essas notícias, os americanos reduzem suas propensões para gastar, quer em consumo, quer em bens duráveis, por exemplo, automóveis. Daí o reflexo na queda das vendas da Honda em 34% e sua retirada da Fórmula I, que, curiosamente, afeta a Petrobrás, fornecedora do combustível para os carros da fábrica japonesa.
A imprensa americana discute, juntamente com o Congresso, os efeitos da crise nas três grandes, montadoras, a Crysler, Ford e General Motors, com questões do tipo “ bailout ou Chapter 11”?
O Bailout em economia e finanças é uma solução estrutural através da qual o Governo injeta dinheiro em uma empresa (banco ou indústria) para que ela consiga pagar suas obrigações de curto prazo. As três montadoras estavam em setembro passado pedindo US$ 25 bilhões de ajuda. Em novembro a ajuda ainda não havia sido aprovada.
Uma “concordata” da General Motors poderia precipitar um lance mais dramático ainda da crise, produzindo um efeito mais forte, do tipo “dominó”, com uma peça caindo porque a anterior caiu. A corrente liberal diz: “deixe quebrar, vamos purgar o sistema e assim melhorá-lo”. Mas isso não é tão simples, pois as conseqüências podem ser catastróficas para um quadro de desemprego que já está batendo recordes de três décadas.
O chamado “Chapter 11” é um dos capítulos do Código de Falências dos Estados Unidos que permite que uma empresa possa se reorganizar conforme as regulamentações legais; já o capítulo sete
Regula o processo de liquidação da empresa que foi decretada como falida pelo Juiz. Essa discussão, para um gigante mundial como a General Motors, é um pesadelo para seus executivos, acionistas, fornecedores, clientes. E então passa a ser fundamental se conhecer a opinião de Barak Obama e seu time sobre o tema GM. Provavelmente quer ajudar, mas não sem um plano de longo prazo, que torne a indústria americana de veículos mais competitiva, com carros mais econômicos, que poluam menos.
O último pedido dos quatro fabricantes subiu de US$ 25 bilhões para US$ 34 bilhões, um aumento de 36% em sessenta dias. E veio com o aviso de que não chegarão longe sem a maciça ajuda. Se de um lado a opinião publica não quer mais desemprego, por ouro lado não vê com simpatia o governo dando um cheque em branco para eles. O desfecho veremos em breve.
Aqui no Brasil a indústria automobilística está com os pátios cheios e dando férias coletivas. Pudera, 2008 bateu todos os recordes de venda de sua história.
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