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Editoriais 07/11/2008

 
EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.

Semana Finda em 07/novembro/2008            EDNOV072008.DOC Abrir/Imprimir em Word

Editorial:Obama e seus desafios - em números

O Futuro presidente dos Estados Unidos da América tem graves problemas a enfrentar após sua posse. Resolvemos quantificar algumas dessas dificuldades para mostrar o tamanho da questão.

A  dívida interna pública americana em 12/Novembro é de US$ 10,64 trilhões, que para uma população de 305 milhões representa US$ 34.879 por pessoa[1]; o déficit federal em julho de 2008 totalizava US$ 371,4 trilhões; o Governo Bush projeta para 2008 um déficit de US$ 410 trilhões e para 2009 US$ 482 trilhões, o nível mais alto da história[2].

A balança comercial tem estado há anos fortemente negativa: em 2005 o saldo foi de – US$ 1,99 trilhões; em 2006 o déficit cresceu para – US$ 2,21 trilhões; em 2007 aumentou para –US$ 2,35 trilhões; em 2008, projeta-se um déficit de –US$ 2,60 trilhões.

O Balanço de pagamentos fechou 2007 com um “furo” de – US$ 731 trilhões, por acaso do tamanho do projeto do Secretário do Tesouro para salvar os bancos e o mercado de hipotecas imobiliárias.

O desemprego nos Estados Unidos atingiu em Outubro de 2008 10,1 milhões de pessoas, o nível mais alto dos últimos dezesseis anos, para um total de 144,9 milhões de empregados[3].

A crise do mercado imobiliário americano, estopim de todo drama do mercado financeiro mundial, contabiliza perdas do sistema financeiro de US$590.8 bilhões de dólares, obrigando os bancos a uma chamada de capital de US$434.2 bilhões para compensar os prejuízos, em outubro de 2008. Mas vem mais coisa pela frente[4].

O nível do passivo financeiro devido a hipotecas de imóveis nos Estados Unidos atingiu em 2008 US$ 3,44 trilhões, dos quais uma parte considerável (cerca de US$ 600 bilhões) é do tipo “sub prime”, hipotecas de má qualidade ou de segundo grau. Os chamados “títulos podres”.

O número de casas retomadas pelos bancos cresceu em 71% no terceiro trimestre de 2008 e impiedosamente essas casas foram colocadas em leilão, com seus moradores despejados e com as portas lacradas. No total, 765.558 unidades foram postas em aviso de “default” e estão sendo leiloadas[5].

Os Estados Unidos consomem 20,8 milhões de barris de petróleo por dia (mmbd), cerca de 20% da produção mundial de 64,9 mmbd; mas produz apenas 8,3 mmbd, faltando, portanto 12,5 mmbd, que aos preços de outubro/08 (US$ 60) significa compras de US$ 750 milhões por dia ou US$ 274 bilhões por ano; se o petróleo voltar para US$ 100 o barril, o que é bem provável em médio prazo, o gasto anual será de quase meio trilhão de dólares.

A guerra no Iraque já causou 4.182 mortos americanos e 30.774 feridos. Os orçamentos iniciais do Governo americano falavam em US$ 50 a 60 bilhões como orçamento para os gastos no Iraque; um estudo da Universidade de Harvard fala em custos finais ultrapassando US$ 2 trilhões[6].

A guerra do Iraque foi movida por Bush pela suspeita de armas atômicas em construção, mas os estudiosos descartaram essa hipótese. Ao contrário, os Estados Unidos sabiam que o Iraque tem reservas de 115 bilhões de barris, a segunda maior logo depois das reservas da Arábia Saudita.

Em 11 de Setembro de 2001, dezenove terroristas suicidas, ligados à Al - Qaeda de Bin Laden destruíram o símbolo dos americanos, as torres do World Trade Center, matando 2.974 pessoas (mais os 19 terroristas) e ferindo mais 6.281 indivíduos; até hoje o governo americano não conseguiu prender ou matar Bin Laden, que depois do 11/9 já organizou diversos outros atentados, na Inglaterra e na Espanha.

Bush aprovou em 26 de outubro de 2001 o Patriot Act (Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism) através do qual os Estados Unidos promoveram a invasão do Afeganistão para depor o Talibã e capturar terroristas da Al-Qaeda. O Patriot deveria expirar em 31/12/2005, mas foi estendido, apesar das acusações de que ele viola direitos civis das pessoas que vivem ou estão nos Estados Unidos[7].

Obama se elegeu com o apelo para mudanças. Ele terá um prato cheio de coisas indigestas para mudar, com o mundo inteiro em estado de expectativas de tais mudanças. O trabalho dele e de sua nova equipe não será fácil e as cobranças virão com força proporcional aos eventuais insucessos ou demoras. Mas não deve haver ilusão, elas demorarão, por várias razões: a enorme intensidade dos problemas; suas gigantescas dificuldades; a dificuldade de achar soluções conciliatórias; o jogo político dentro e fora dos Estados Unidos; as naturezas de suas promessas. Vejamos como o superman Obama irá se desempenhar. Eu torço por ele.

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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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