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Saíram os dois primeiros balanços de bancos relativos ao exercício de 2002, do Bradesco, cujos resultados foram oferecidos ao mercado no dia 4, segunda feira e o do Banco Santos, publicado no dia 5, hoje, na Folha de São Paulo na versão detalhada.
Qual importância prática de publicar com rapidez os balanços de bancos? Isso parece pouco relevante para o público, mas não é. A mecânica de produzir um balanço de fim de ano, especialmente nos grandes bancos, é extremamente complexa e passa inclusive por vários crivos, por exemplo da auditoria interna, da auditoria externa contratada para examinar as contas contábeis e oferecer um parecer, da direção executiva do banco, de seu Conselho de Administração, e, inclusive do próprio Banco Central, que é cada vez mais rigoroso com relação aos critérios contábeis.
Portanto, a publicação do balanço, passadas apenas quatro ou cinco semanas da data de encerramento do ano fiscal, no caso 31/12/2001, tem uma indubitável notação de competência tecnológica, cuidados gerenciais e controles eficazes. E o mercado financeiro olha isso com admiração e talvez com inveja. Portanto, parabéns aos primeiros, e muito especialmente se os resultados apresentados são bons. Abaixo fazemos um resumo dos principais indicadores desses dois bancos.
- O Banco Bradesco: o maior banco privado de varejo brasileiro mostra em seu balanço consolidado, que portanto espelha os dados de suas empresas coligadas e controladas, que seus ativos atingiram em 31/12/2001 R$ 110,2 bilhões, (correspondentes a US$ 47,46 bilhões2), com um crescimento de 16% em reais; seu patrimônio líquido atingiu em 31/12/2001 R$ 9,77 bilhões (equivalente à US$ 4,21 bilhões), contra R$ 8,09 bilhões em 2.000, um crescimento de 21% em moeda corrente; seus depósitos totais fecharam 2001 com R$ 41,08 bilhões (correspondentes à US$ 17,71 bilhões) contra R$ 36,47 bilhões em 2.000, um crescimento de 13%; suas operações de crédito no circulante e no longo prazo totalizaram R$ 35,13 bilhões contra R$ 30,24 bilhões em 2.000, um crescimento de 16%. E finalmente seu lucro líquido consolidado foi de R$ 2,17 bilhões em 2.001 ( correspondente a US$ 935,18 milhões) contra R$ 1,74 bilhão em 2.000, um crescimento de 25%, excelente performance para um banco gigante como o Bradesco.
- O Banco Santos: Um banco de nicho ou de atacado que opera com tecnologia como sua principal ferramenta operacional e mercadológica, esse banco tem apresentado uma trajetória de crescimento patrimonial destacada, conforme publicamos em nosso "Opinião" de 11 de janeiro passado, quando mostramos que ele conseguiu multiplicar seu PL por 16,27 vezes entre 1.994 e 30/06/2001. Agora seu balanço consolidado mostra um ativo total de R$ 5,86 bilhões contra R$ 4,63 bilhões em 2.000, um crescimento de 27%; patrimônio líquido de R$ 317,25 milhões em 2.001 contra R$ 226,66 milhões em 2.000, um crescimento de 40%; um lucro líquido de R$ 60,05 milhões em 2.001 contra R$ 51,39 milhões em 2.000, um crescimento de 17%.
Os bancos brasileiros, com inflação ou sem inflação, (desde que sejam minimamente competentes) continuam ganhando muito dinheiro. Mudam suas estratégias conforme a música geral, se adaptando rapidamente aos novos ambientes impostos pela globalização, pelo crescimento ou pela recessão. O que está faltando para o público consumidor contudo é uma redução consistente e continuada das taxas de juro nas operações de crédito, condição básica para o crescimento da economia brasileira. Quando será que veremos isso? No próximo Governo? Qual a posição do BC sobre esse tema? E do Ministério da Fazenda? E do FMI?
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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