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Editoriais 05/02/1999

1. Ética empresarial, parte de um todo
A ética empresarial precisa ser vista como parte de uma ética mais abrangente, a ética social e humana. Não há uma moldura específica a não ser como a de um subconjunto para ela. Embora a empresa privada com fins lucrativos precise de axiomas próprios, ligados à sua sobrevivência econômica e portanto à sua perenidade, tem que ter também seus princípios éticos, uma vez que se insere na sociedade humana.

Definição de ética

O que é, afinal, ética? Diz Andre Lalande:  "Ética é a ciência que tem por objeto o julgamento de apreciação aplicado à distinção do bem e do mal; historicamente a palavra ética tem sido aplicada à moral, em todas suas formas, seja como ciência, seja como a arte de dirigir a conduta" "A ética, segundo H. Spencer, pode ser vista como um fragmento de um todo, que é a conduta universal e entendida no mesmo sentido vago que a moral". "A moral é o conjunto de prescrições admitidas em uma época e em uma determinada sociedade, o esforço para se ajustar à essas prescrições, a exortação para que elas sejam seguidas".

Outra abordagem da ética

 Robert Nozick  dá uma outra abordagem às questões de ética: "verdades éticas não encontram lugar na visão contemporânea científica do mundo. Microscópios e telescópios não revelam fatos éticos. Se não existem fatos éticos, porque as questões morais são vistas como verdades? Porque alguns atos morais ou afirmações morais se relacionam com outros fatos ou afirmações que, elas sim, podem ser verificadas cientificamente, como conseqüências deles. Por exemplo, causando sofrimento, ou iniciando um genocídio, ou acabando com uma amizade. São essas relações, ditas de valor, que geram a ligação da moral com a ciência, criando valores objetivos e mensuráveis."

Em resumo...

A ética empresarial pode ser encarada de um modo instrumental, como algo que, se não for estabelecido, acaba por prejudicar a empresa em algum horizonte de tempo.
A ética empresarial é parte de uma ética maior, a qual se relaciona com a inserção da empresa na sociedade.

A ética e seus preceitos estão ligados à moral, e ambas relacionam-se com as prescrições de uma dada época, ao esforço para se ajustar à elas e à exortação para atingi-las.
A empresa tem valores ligados e decorrentes dos princípios éticos que adota, valores esses que podem ser objeto de verificação e de medidas práticas. Portanto, ética não é assunto etéreo e abstrato.

A ética de um banco

Um banco é uma entidade financeira que objetiva ganhar dinheiro para crescer, enfrentar a concorrência, alargar seu mercado e através desses processos, sobreviver. Sua ética tem que ser consistente, em primeiro lugar com seus objetivos centrais. Em segundo lugar, com as leis vigentes no País em que atua.

Em terceiro lugar, com as exigências gerais da ética e da moral reinantes em seu ambiente. A direção do banco tem a responsabilidade de explicitar as regras práticas de sua ética, tornando-as acessíveis para todos seus dirigentes e
funcionários de acordo com seus respectivos níveis, bem como provendo os sistemas de medida, avaliação e regulação do cumprimento de tais regras.

Algumas recomendações práticas para estruturar a ética de bancos

Independência de pensamento e ação

Diretores e Gerentes de Bancos não devem ser "desligados" ("drones" em inglês) ou "clones". Devem atuar independente e cuidadosamente. Os indivíduos não devem atuar destrutivamente, ou como "serventes" (burros de carga, fazendo papel de bobos) para outros.

Responsabilidade e confidencialidade

Qualquer Diretor ou Gerente tem como responsabilidade a discrição quanto às informações recebidas "mantendo sua boca fechada" em relação aos dados e informações confidenciais.

Em reuniões, contudo, os Diretores e Gerentes devem discutir todas as informações com liberdade e de uma maneira completa dentro das fronteiras das reuniões. Essas informações não devem ser comentadas ou discutidas fora das reuniões ou de seus comitês, visto que não se sabe quem as está ouvindo. Diretores e Gerentes que "possuem boca grande" em geral causam problemas.

Diretores e Gerentes devem ter uma preocupação constante com vazamentos de relatórios contendo informações financeiras ou outros dados confidenciais para o público ou para funcionários não autorizados a ter tais informações. Falhas de confidencialidade atingem a reputação do Banco e impedem o Banco de operar de modo mais eficiente.

Disputas e conflitos de interesse

Disputas são comuns entre áreas de um Banco ou entre seus Diretores e Gerentes, mas eles têm responsabilidades de gerar um trabalho crítico e construtivo de modo a beneficiar o Banco com tais disputas.

Conduta e ética

A conduta de Diretores e Gerentes afeta diretamente a reputação do Banco e portanto ela deve ser objeto de monitoramento. Em casos em que existam evidências de conduta anti-ética ou desleal ao banco tal conduta poderá ser considerada como infringindo as normas do banco, prejudicando sua imagem e portanto sujeita às penalidades funcionais e legais cabíveis.

Diretores e Gerentes não devem se envolver deliberadamente em conflitos de interesse; em casos em que isso ocorra, deverão informar aos seus superiores e obter orientação sobre seus procedimentos.

Recrutamento e seleção de profissionais competentes

Quanto melhor a qualidade dos profissionais do Banco, menores serão os riscos que ele irá correr. Isso implica em cuidadosas políticas de recrutamento, seleção, retenção e avaliação do corpo de dirigentes do Banco.

Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
 Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.