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Editorial: Estratégias de crescimento do BMG - Parte II
No“Opinião” de 06 de maio passado publicamos a notícia de que os jornais brasileiros e estrangeiros informaram sobre as negociações entre o BMG e o Banco Schahin (antigo Banco Schahin Cury), conforme se lê no próprio Wall Street Journal:
“Brazil's Banco BMG To Buy Banco Schahin For $146 Million- Wall Street Journal - 28/04/2011 SAO PAULO (Dow Jones)--Brazilian small private bank Banco BMG signed a memorandum of understating to acquire its local peer Banco Schahin for 230 million Brazilianreais($146 million), the bank said late Wednesday in a press release"[1].
De fato, conforme a EFC apurou, em meados de abril o Banco BMG firmou um acordo de intenções com os acionistas controladores do Banco Schahin, acordo esse que tinha como referencial o patrimônio contábil declarado pelo Schahin em seu balanço de 30/6/2010 da ordem de R$ 230 milhões. Em seguida soubemos que esse acordo de intenções, como é praxe, estava sujeito a uma averiguação detalhada da situação dos ativos e passivos do Banco Schahin, a chamada “due diligence”. Essa averiguação em geral é contratada com uma empresa de auditoria de boa reputação.
Em bancos, a metodologia de aquisição passa pela tarefa de reavaliar os seus ativos, estimando as perdas não contabilizadas ou sub contabilizadas. São, muitas vezes, do lado dos ativos, perdas relacionadas com inadimplência em créditos, ativos registrados por valores inferiores aos de mercado, itens glosados pela fiscalização do Banco Central; do lado dos passivos, obrigações registradas por valores inferiores, ações judiciais não lançadas pelo passivo provável e ou não amparadas em pareceres de advogados e assim por diante. Esse conjunto de ajustes nos ativos e nos passivos é que determina o real valor do patrimônio da instituição adquirida e portanto de quanto o comprador se propõe a pagar aos acionistas controladores.
Independentemente de uma eventual venda, o Banco Central através de sua diretoria de fiscalização monitora “on line” e em tempo real a situação de todo o sistema financeiro brasileiro, e se observar insuficiências de capital segundo as regras de Basiléia, chama os controladores ao BC e os obriga a fazer os ajustes de capitalização necessários. De fato, o índice de Basiléia do Schahin estava no valor mínimo em Junho/2010.
Então o que deve ter ocorrido é que os seus acionistas controladores ou vendiam suas participações ou capitalizavam o banco, o que, não sendo possível, teria restado procurar o Fundo Garantidor de Crédito para que ele indicasse um caminho. E essa indicação foi a do BMG.
A revista “Exame” dá detalhes da operação em seu site: “São Paulo - O banco BMG informou, nesta quinta-feira (07/07), que concluiu a compra do banco Schahin. O negócio foi anunciado em abril deste ano por 230 milhões de reais. O processo será encaminhado agora para a aprovação do Banco central (BC)”[2].
Com a “Due Diligence” terminada e os ajustes calculados, será necessário que o BMG aporte até R$ 1,5 bilhão para recapitalizar o Banco Schahin e começar uma vida nova. Caberá ainda ao Banco Central aprovar a operação.
O movimento de fortalecimento do sistema financeiro brasileiro é algo continuo e implica em reestruturações periódicas. O Fundo Garantidor de Crédito tem se destacado pela sua pronta atuação no sentido de propiciar uma evolução tranqüila desse sistema. Ele é bastante capitalizado e serve de “colchão de amortecimento” ou de elemento de contra ciclos, exatamente como preconizam as recentes recomendações de Basiléia III para todos os sistemas bancários mundiais. O capital do FGC é dos próprios bancos, em partes proporcionais aos seus balanços. O dinheiro é aportado mediante taxas de mercado. Ganha o sistema bancário que continua sólido e capitalizado. Ganham os aplicadores e clientes, que não precisam passar pelos traumas como os dos bancos que foram liquidados.
[1] Fonte, http://online.wsj.com/article/BT-CO-20110428-709212.html?mod=WSJ_latestheadlines
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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