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Editoriais 02/07/2010

 

EFC - Especialistas profissionais em Planejamento Estratégico, Reengenharia, Reestruturação Empresarial e
Consultoria para Instituições Financeiras e Industriais.
Semana Finda em 02/julho/2010     EDJUL022010.DOC Abrir/Imprimir em Word
            

Editorial: O sistema bancário brasileiro: tendências atuais e questões futuras

 Nós estudamos sistemas bancários há muitos anos. Em verdade, há mais de três décadas. Especialmente, olhamos o sistema bancário brasileiro muito de perto, examinando suas estratégias, seus balanços, seus sistemas, seus modelos gerenciais.

Nesse acompanhamento, temos externado nessas páginas do “Opinião” por várias vezes, nossa preocupação com a crescente concentração dos bancos no Brasil, o que facilmente pode ser verificado pelos dados retirados do Banco Central: em 1995, os vinte maiores bancos respondiam por 87% dos ativos; esse número em março de 2010 já atingiu 92%. Em 2010, o Brasil tem sete bancos com ativos maiores do que US$ 50 bilhões para um grupo de 137 bancos. Nos Estados Unidos existem 9.431[1] bancos, com apenas 22 com ativos superiores a US$ 50 bilhões. Ou seja, 0,2% do total, portanto com um enorme número de pequenos bancos, distribuídos por toda extensão territorial, atendendo segmentos econômicos e sociais os mais diversos.

O quadro abaixo mostra outro ângulo do sistema brasileiro: as elevadíssimas taxas de juro cobradas, com o cheque especial subindo em julho deste ano para 9,06% ao mês ou 183,1% ao ano e o crédito pessoal atingindo 3,03% ao mês, ou 43,04% ao ano. Para pessoas físicas, o dinheiro mais barato é o do crédito consignado, 2,02% ao mês ou 27,12% ao ano.

Certamente o produto do empréstimo consignado teve uma influência preponderante na estrutura de juros das pessoas físicas tomadoras de dinheiro, tendo ajudado elas liquidarem seus cheques especiais ou as contas do cartão de crédito no rotativo.

Esses dois produtos bancários são os de maiores taxas de juro: o cheque especial custa na média 160% ao ano; a dívida no cartão de crédito chega a ter juro de 16% ao mês ou 494% ao ano! São verdadeiras armadilhas tentadoras para os indivíduos que se deixam levar pelo encanto das compras fora de suas possibilidades e de seus orçamentos. Essa estrutura de taxas de juro algum dia precisa voltar para níveis civilizados no Brasil. Então a questão é quem irá atacar esse problema, que em verdade começa na dívida interna pública e nos gastos excessivos do governo, obrigado a se financiar com títulos da dívida, carregados em grande parte pelos bancos. Para onde caminha nosso sistema bancário? Quem no Governo desenha sua estratégia e a operacionaliza, neste mandato e principalmente no próximo?



[1] Dados de 2008; entre 2008 e 2009 os Estados Unidos fecharam 83 bancos.


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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
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A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.

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