Após termos dado duas entrevistas seguidas para a TV Cultura sobre esse caso, notamos que ainda existe muitas dúvidas sobre a Operação de salvamento do Banco Panamericano, razão pela qual voltamos ao tema.
Diversos jornais publicaram detalhes e pontos de vista sobre a operação de salvamento do Banco Panamericano que resumimos abaixo e comentamos em seguida:
· O Banco BTG Pactual compra do controlador Sílvio Santos as suas ações por R$ 450 milhões;
· A Caixa Econômica Federal continua com sua participação de 49% no capital votante e de 36% no capital total;
· O Fundo Garantidor de Crédito, que emprestou ao controlador Silvio Santos R$ 2,5 bilhões para cobrir o rombo do Banco, financiará o prejuízo que deve ser maior, dito pela imprensa como sendo de R$ 3,8 bilhões;
· O BTG poderá pagar a diferença até 2028 com juros de 13% ao ano.
· O interesse do BTG Pactual é a grande carteira de clientes pessoas físicas da classe C e D que o Panamericano tem devido a popularidade de Silvio Santos. E comprou o Banco por quase nada!
· Pontos de vista de alguns especialistas colocam que o FGC ao fazer esse empréstimo (ou aporte) está utilizando dinheiro “público” e que, ao final, os clientes do sistema bancário brasileiro é que, indiretamente, estão arcando com o prejuízo do rombo.
As últimas notícias da imprensa relatam o diálogo entre Silvio Santos e os principais banqueiros presentes na reunião final de negociação no FGC: quando foi ameaçado de ter seu patrimônio bloqueado e seu banco liquidado, Silvio respondeu: “ liquida, liquida”.
O Sr. Senor Abravanel não tem idéia do que é o martírio que os controladores, diretores estatutários e membros do Conselho de administração são submetidos em uma liquidação extrajudicial. Todos os bens bloqueados inclusive as contas em bancos; conheci pessoas que foram parar em psiquiatras, outras ficaram tão traumatizadas que nunca mais se recuperaram. Silvio foi salvo pela entrada da Caixa Econômica Federal em seu banco, como ele poderia ser liquidado se a CEF é sua acionista e ela é 100% da União?
A mesma fonte citada na nota 1 do rodapé fala que tal liquidação teria efeitos graves em pelo menos 15 bancos médios, gerando o chamado “efeito dominó”; todos se lembram de como a falência do gigantesco banco de investimentos Lehman Brothers afetou o mundo todo, inclusive criando no Brasil em 2008/2009 a denominada “marolinha” do presidente Lula, em verdade um “tsunami gigantesco” que custou uma fortuna ao Brasil. Sobre essa falência, vejam o texto abaixo:
“O Lehman deu entrada com o maior pedido de falência na história dos EUA em setembro de 2008, depois que crescentes prejuízos com títulos garantidos por hipotecas assustaram os investidores e credores. O colapso do banco de investimentos de Wall Street ajudou a desencadear um congelamento dos mercados de crédito em todo o mundo, forçando o governo americano a prover US$ 700 bilhões em socorro financeiro”.
Certamente a solução de mercado encontrada – a nosso ver – foi melhor do que a clássica intervenção do Banco Central. Aliás, se por ventura uma ação drástica do BCB tivesse ocorrido antes das eleições, o resultado das urnas poderia ter sido diferente. De qualquer modo, o processo judicial deve seguir.