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Editorial: Como prognosticar problemas em bancos?
Graças a uma atuante normatização e fiscalização do Banco Central do Brasil nos últimos anos, os problemas em bancos têm se reduzido muito. Contudo, o universo de instituições financeiras não se limita apenas aos cento e poucos bancos existentes; ele inclui corretoras e distribuidoras de valores, empresas de crédito, financiamento e investimentos, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e consórcios. São mais de mil instituições, que precisam seguir os princípios de gestão prudente e controles internos satisfatórios. E ao mesmo tempo servir bem seus clientes e obter lucro para seus acionistas.
A EFC possui e oferece para essas instituições o mais amplo e completo banco de dados com demonstrações financeiras, que acumula dados desde 1993. Adicionalmente, o livro “História das Instituições Financeiras” recapitula duzentos anos de atividades bancárias no Brasil, o que permitiu retroceder nossas análises aos tempos anteriores à criação do Banco Central.
Recentemente, pesquisamos trinta casos de bancos que quebraram no Brasil. Voltando alguns anos antes da quebra de cada um, descobrimos indicadores claros que permitiriam prognosticar com bastante segurança eventos tristes, que machucariam os clientes, o público em geral, os executivos desses bancos e finalmente seus acionistas e controladores. E que portanto poderiam ser evitados.
Selecionamos desses casos dez deles para mencionar neste número do “Opinião. O estudo completo, incluindo a base de dados, pode ser obtido pelo email do rodapé.
1) O caso do Banerj: problemas com a auditoria? Intervenção em 30/12/1994.
2) O caso do Banespa: problemas graves de liquidez em 1992 e 1993; Intervenção em 30/12/1994.
3) O caso do Banco Econômico: anomalias nos balanços de 1993 e 1994; Intervenção em 18/08/1995.
4) Banco Banfort - com anomalias entre 1993 e 1995. Liquidado em 15 de Maio de 1997.
5) Banco BMD: Anomalias claras em 1995; liquidado em 15/05/1998.
6) Banco Pontual: sinais claros entre 1994 e 1997; Liquidado em 29/10/1999.
7) O caso do Banco Nacional: patrimônio crescente, lucros crescentes! Intervenção em 18/11/1995.
8) O caso do Banco Bamerindus: o Plano Real precipitou a crise; Intervenção em 26/03/1997
9) Dos vinte e três bancos estaduais existentes em 1996, poucos restam hoje.
10) O caso do Banco Santos: notícias sobre a rentabilidade em 1993; liquidado em 12/11/2004.
O Brasil não é absolutamente exclusivo dessas situações. O caso do Banco Barings, no qual no jogo do mercado financeiro Nick Leeson ganhou e perdeu milhões de libras e levou o mais tradicional banco da Inglaterra à falência. Em sua autobiografia, ele conta como encobriu as perdas na conta erro 88888 e como escondeu isso durante 2 anos.
Por conta desses inúmeros casos, o Comitê de Riscos de Basiléia estabeleceu, já há alguns anos, seu “Framework for Internal Control Systems” aplicável a todos os bancos no mundo. Segue o critério COSO, que possui cinco princípios básicos: COSO: Um sistema de controles internos com cinco componentes: Ambiente de Controle; Avaliação de Riscos; Atividades de Controle; Informação e Comunicação; Monitoramento.
Se as instituições financeiras seguirem rigorosamente esses princípios, os eventos do tipo dos que acima estão mostrados não terão grande chance de ocorrerem.