Semana Finda em 09/novembro/2007
Editorial: O Balanço do terceiro trimestre da Caixa Econômica Federal EDNOV09007.DOC 
Quase todos os jornais sobre economia publicaram a notícia de que a CEF teve um mau resultado no terceiro trimestre de 2007. A EFC foi consultada, mas nossa resposta indicou que não tínhamos os dados para elaborar uma análise mais correta. Contudo, um jornal de grande circulação publicou uma opinião que atribuiu a nós: “o analista Carlos Coradi, da Coradi & Associados, vê erro estratégico da gestão da Caixa”. Não existe tal empresa e sim a EFC - Engenheiros Financeiros& Consultores.
Colecionamos diversas notícias sobre esse evento, mas não encontramos ainda uma versão mais profunda da questão, motivo pelo qual resolvemos escrever esse número do“Opinião” sobre a CEF. Vamos lá...
1) As demonstrações financeiras da CEF relativas ao terceiro trimestre de 2007 não estão disponíveis na internet (ou não fomos capazes de localizá-las). Tão pouco, no site da CEF, as demonstrações anteriores estão “abrindo”. Problemas com o site?
2) A alegação da maioria dos jornais é de que o lucro do terceiro trimestre de 2007 caiu 89% em comparação com o trimestre anterior. Notícia sensacionalista que precisa maior exame, visto que o lucro acumulado dos 9 meses de 2007 (segundo as publicações vistas) recuou de 8,1%, para R$ 1,778 bilhão. Conforme expliquei à jornalista que me procurou, a análise de um trimestre isolado não é uma referência completa e o lucro dos nove primeiros meses não foi tão ruim assim, equivale a um bilhão de dólares.
3) Mais preocupante, contudo, é o relatório dos auditores independentes, a reputada PricewaterhouseCopers. Relatório este, infelizmente do primeiro trimestre de 2007. A Price conclui que “não foi praticável nas circunstâncias concluirmos sobre os reflexos nas demonstrações contábeis da CAIXA advindos da aplicação dessa norma”. Refere-se a norma do IBRACON que determina critérios para apuração dos custos... ligados ao plano de previdência da FUNCEF. Ademais, a revisão da Price é limitada.
4) Para nós da EFC, que apenas olhamos balanços anuais publicados em jornais de grande circulação, o exame das demonstrações financeiras relativas ao período encerrado em 31/12/2006, quando comparadas com as mesmas informações dos 100 bancos analisados pela EFC é que nos permite conclusões mais sólidas.
5) Comparando os dados de rentabilidade patrimonial (lucro líquido de 2006 sobre patrimônio líquido de 31/12/2006) obtivemos para a CEF 25,99%, enquanto que a média ponderada para 100 bancos desse mesmo índice foi de 19,77%; portanto, a CEF esteve melhor do que a média; contudo, ao olharmos os dados de rentabilidade sobre ativos totais (lucro líquido de 2006 sobre o total dos ativos) obtivemos 1,14% para a CEF e 1,70% para a média ponderada dos 100 bancos. Coisa curiosa, a CEF melhor em um caso e pior em outro. A explicação provável é que ela tem muito ativo por unidade de patrimônio. Passaria ela nos critérios de Basiléia?
6) Outro ponto importante: a liquidez corrente da CEF é muito baixa, de apenas 0,67, enquanto a média ponderada do mercado é de 1,01. O valor de 0,67 significa que a CEF só tem sessenta e sete centavos de ativos realizáveis no curto prazo para cada um real que precisa pagar no mesmo prazo. Esse é um dado preocupante, pois a falta de liquidez de curto prazo pode (pode..) ser fatal para um banco. É verdade que a União, através do Tesouro Nacional, como única acionista da CEF, pode capitalizá-la a qualquer momento. Mas precisa cobrar a lição de casa de forma completa. Está ela feita?