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Editorial: Concorrência para a BM&FBovespa
As notícias vieram de todos os lados: uma grande operadora dos mercados de ações, a BATS, se associou com um fundo de investimentos brasileiro, CLARITAS, e pretendem criar uma bolsa de valores no Brasil, para concorrer com a BM&FBovespa, hoje a única bolsa de ações e futuros do Brasil.
Consultada a EFC sobre o tema por investidores estrangeiros, opinamos da seguinte maneira: a concorrência é sempre saudável, mas é preciso lembrar que o Brasil já teve oito diferentes bolsas de valores e duas bolsas de derivativos; nenhuma delas, salvo a Bovespa e a BM&F conseguiram ter volumes suficientes para sobreviver, e acabaram sendo ou fechadas ou absorvidas pela Bovespa e pela BM&F.
A própria fusão das duas, Bovespa e BM&F, é um fato demonstrativo de que ambas buscaram aproveitar sinergias e reduzir seus custos fixos, preparando-se para enfrentar a concorrência internacional. Essa fusão foi precedida de dois movimentos distintos de desmutualização, nos quais ambas as bolsas deixaram de serem entidades de seus corretores para virarem sociedades anônimas de capital aberto, com ações negociadas na própria Bovespa.
Posteriormente, a nova entidade, BM&FBovespa, vendeu 5% de suas ações para a Chicago Mercantile Exchange (CME), a maior bolsa do mundo, com o sentido estratégico de se fortalecer no mercado internacional.
A tendência das bolsas em todo o mundo é se unirem quer por fusão, quer por aquisição, para ganhar escala e conseguir reduzir custos, de modo a se manterem competitivas. Os clássicos pregões do tipo viva-voz estão desaparecendo em todo o mundo, o que, aliás, já ocorreu no Brasil, tanto na Bovespa como na BM&F; esses pregões, que tinham um cunho até romântico, com os corretores gritando a plena voz, foram substituídos pelas plataformas eletrônicas, silenciosas, distribuídas por centenas de lugares nas corretoras de valores, bancos, distribuidoras, dealers. Tudo na busca incessante de maior eficácia, agilidade, menores custos, maior transparência.
A eventual entrada de uma nova bolsa no Brasil é possível, mas não será fácil. Ou entrar de vez, investindo muito dinheiro, tecnologia, pessoal, instalações, etc. ou ficar marginal, arranhando o mercado.
A liquidação de ações é um processo relativamente fácil, mas de qualquer modo, tem que ser aprovado pela CVM e pelo Banco Central, visto que tal liquidação envolve a conexão com o Sistema Brasileiro de Pagamentos, SPB, uma jóia do sistema financeiro brasileiro que interliga diversas peças financeiras, tais como bancos, corretoras e distribuidoras de valores, a CBLC e as Câmaras de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Ativos, de Operações de Câmbio e de Operações de Derivativos. A Câmara de Operações de Câmbio, montada pela BM&F há poucos anos, é única no Brasil e o movimento de operações de cambio de balcão passa por lá.
A BATS e a Claritas não acharão um caminho fácil, mas sempre é bom ter competição dentro do crescente mercado de ações brasileiro. Por exemplo, se dedicando ao mercado de balcão de médias empresas, área em que a nosso ver há uma lacuna, poderão ajudar a capitalização desse tipo de companhias, que precisam muito de capital de risco. Boa sorte!
Notícia recente: A famosa e simbólica Bolsa de Nova Iorque decidiu fundir-se com a Deutsche Börse, ficando esta com 60% da nova companhia, que será a maior empresa mundial dos mercados financeiros. Há uma tendência mundial em fundir bolsas, quer de ações, quer de futuros, visando economias de escala. Essa tendência não deixará a BM&FBovespa de fora, que, de resto, busca alianças já há tempos.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841; Skype: efc-consultores. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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