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Editorial: Trinta e sete anos do Índice Bovespa estudados
Por Carlos Daniel Coradi
Há muitos anos acompanho a evolução de nossa Bolsa de Valores. Em verdade, de nossas bolsas, pois sou do tempo em que o Brasil tinha oito diferentes bolsas. As duas mais importantes eram a do Rio de Janeiro e a de São Paulo. Sendo que a do Rio era maior do que a de São Paulo. A propósito, a do Rio quebrou por conta do evento “Naji Nahas”, ficando só a de São Paulo. Que possui mais de 100 anos e portanto já atravessou muitas crises, inclusive a de 1929, a da grande depressão dos Estados Unidos.
Esse meu acompanhamento tem sido feito, entre outros elementos de análise, por um exame do Índice Bovespa, que mede com bastante precisão os preços das ações mais negociadas em São Paulo. Contudo, o embaraço de tais estudos chama-se inflação, que em alguns meses foi de mais de 80% . E por essa razão, meus estudos precisam ser em moeda constante, referidos sempre em moeda do último mês. O gráfico abaixo apresenta o mais recente, que mostra o Índice Bovespa em moeda de outubro de 2008. São 455 pontos mensais desde janeiro de 1971. O computador ajusta uma curva media por análise de regressão. Essa curva minimiza as distâncias entre os pontos reais e os equivalentes da curva. Com isso, se tem um bom ajuste médio. Os limites superior e inferior, em vermelho, foram traçados para que entre eles se tenha 80% dos pontos mensais. Isso significa que existe cerca de 10% de chance do índice mensal ficar acima ou abaixo desses dois limites. Seguem meus comentários.

O Índice caiu sistematicamente entre 1971 e 1981, por dez anos. Portanto, é possível se ter longas quedas. Mil reais investidos em 1971 se transformaram em cem reais em 1981; ou seja, se perdeu 90% do capital investido. Em 1986, tivemos o Plano Cruzado, quando o Índice saiu de 2 mil pontos e bateu 32 mil pontos em poucos meses, para em seguida cair espetacularmente para 4 mil pontos. O plano cruzado prometia uma felicidade que não conseguimos ter, aumentos de salários generalizados e congelamento de preços. Nesse ano ficou demonstrado que a bolsa pode subir muito a curto prazo e cair muito também a curto prazo. Entre 1986 e 1990 tivemos os planos Bresser, Maison e Collor, no qual a bolsa caiu para seu nível mais baixo, 2 mil pontos. Alguns meses antes do Plano Real ele volta a subir, atingindo 30 mil pontos com o sucesso deste novo plano, mas cai para 7.500 pontos com FCH 1, sobe para 30 mil pontos com FCH II e cai novamente para 13 mil pontos até o “pré Lula” com o pavor antecipado do PT. Empossado Lula, a bolsa começa uma longa subida, que se esgota em 73 mil pontos com a forte reversão devido a atual crise. Quando olhado o atual momento, nessa visão de longo prazo, a presente flutuação para baixo parece ate modesta quando comparada com os demais ciclos. Com se vê pelo gráfico, com o agora 42 mil pontos estamos exatamente em cima da curva da regressão, o que significa que a subida até 73 mil pontos tinha mesmo que se esgotar. O “Opinião” avisou seus leitores. Por esse estudo fica provado ser falsa a teoria de que em bolsa só se ganha no longo prazo. Tanto se pode ganhar como perder, quer no longo, quer no curto prazo. Ganhar ou perder só depende do ponto de entrada e, claro, do ponto de saída. Compre na baixa, venda na alta. E não ao contrário.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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