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Editorial: As ações da Petrobrás
No dia 14 passado, às 12 horas, as ações ordinárias nominativas da Petrobrás (código PETR4) estavam sendo negociadas na Bovespa à R$ 77 e repentinamente pularam para R$ 84, uma subida de 9%. A declaração de Haroldo Lima, diretor geral da Agência Nacional de Petróleo (ANP) de que “a área chamada Pão de Açúcar localizada na Baia de Santos pode acumular até cinco vezes o volume de petróleo encontrado no campo de Tupi e que se confirmada, poderá se transformar no terceiro maior campo de petróleo do mundo”. A declaração foi dada em evento na Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro. A repercussão foi imediata.
Examinando a evolução dos preços dessa ação nos últimos doze meses e comparando com a evolução do índice Bovespa, que representa o andamento dos preços das principais ações negociadas no Brasil, montamos o quadro 1 abaixo:
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Quadro 1
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em 15/abril/2007
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em 15/abril/2008
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evolução
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máximo nos 12 meses
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ação PETR 4
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R$ 45,00
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R$ 83,94
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87%
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R$ 88,40
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Índice BOVESPA
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48.000
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62.618
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30%
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65.790
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Como se vê, a subida das ações da Petrobrás superou de muito o aumento do Índice Bovespa, 87% contra 30%. Mas ambos pontos máximos ocorreram em dezembro de 2007, o que significa que o mercado já havia antecipado as boas notícias da Petrobrás, coincidentes com a melhoria geral da Bovespa em relação à crise imobiliária dos Estados Unidos.
A descoberta desses novos campos de petróleo precisa ser entendida pelo público não especializado: elas estão ocorrendo no que chamamos de “águas profundas”, lâminas d’água superiores a mil metros de profundidade. Deste número para frente, não é mais possível ancorar uma plataforma de prospecção geológica, de perfuração ou de produção (os três estágios necessários para produzir petróleo com pernas ou âncoras). Então essas embarcações precisam ficar sobre nadando as ondas e constantemente se reposicionando sobre a área específica. Esta tecnologia chama-se “posicionamento dinâmico”. A Petrobrás tem uma enorme carência desse tipo de embarcação, extremamente escassas no mundo. O aluguel diário ultrapassa cem mil dólares! Isto tudo significa que o Brasil vai precisar de muitos anos, diria de cinco a dez anos, para aproveitar integralmente o potencial alardeado pelo diretor da ANP, que, de resto, precisa ainda ser confirmado com precisão pelos técnicos da Petrobrás, os únicos autorizados a divulgar esses dados.
Não se pode esquecer que a Petrobrás é uma empresa de capital aberto, e embora a União seja sua controladora, ela tem milhares de acionistas, pessoas físicas, jurídicas, fundos de investimentos brasileiros e estrangeiros e portanto não pode ser objeto de especulações, as vezes até “implantadas”, como nós já vimos no passado.
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Este informativo é editado por responsabilidade de Carlos Daniel Coradi, Presidente da EFC-Engenheiros Financeiros & Consultores.
Tel.: (11) 3266.2841; Fax: (11) 3266.2841. Sugestões são bem vindas.
A responsabilidade pelos comentários econômicos do "Opinião" é do Economista Mário Sérgio Cardim Neto.
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